Agro comemora queda do tarifaço dos EUA; veja o que muda em números

    Redução das tarifas americanas reacende exportações do agro brasileiro, enquanto China amplia compras de soja e reposiciona o Brasil no comércio global

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    Agro comemora queda do tarifaço dos EUA; veja o que muda em números
    21deNovembrode2025ás10:00

    As entidades do agro que representam setores afetados pelo embargo norte-americano à importação de produtos brasileiros comemoraram a retirada das tarifas de 40% sobre alguns produtos vendidos pelo Brasil anunciada nesta quinta-feira (20), muitos deles considerados estratégicos, como café, carne, frutas tropicais, cacau, chá, banana, laranja e tomate.

    O tom predominante é de otimismo e confiança em uma possível retomada da normalidade nas relações comerciais entre os dois países.

    Segundo a ordem executiva publicada pela Presidência dos Estados Unidos, Donald Trump afirmou que a decisão foi tomada após conversa por telefone com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que agradeceu publicamente.

    Além dos alimentos, a lista publicada nesta quinta-feira (20), inclui fertilizantes, minérios e minerais, combustíveis fósseis, petróleo e derivados. 

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    O movimento representa um avanço na tentativa de normalizar o comércio bilateral, com impactos diretos sobre o agronegócio brasileiro.

    O que dizem os setores impactados

    A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) celebrou a redução das tarifas sobre a carne bovina brasileira. Para a entidade, a medida reforça a confiança no diálogo técnico entre os países e devolve previsibilidade ao comércio.

    A Abiec também destacou que a qualidade e a regularidade da carne brasileira são reconhecidas internacionalmente e que o fim das tarifas cria condições mais adequadas para o bom funcionamento das exportações.

    A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) estima que a tarifa de 50% aplicada anteriormente poderia resultar em perdas de até 5,8 bilhões de dólares nas vendas do agronegócio brasileiro.

    Já a Confederação Nacional da Indústria (CNI) também avaliou o anúncio como positivo e afirmou que a medida devolve competitividade a produtos brasileiros. Para a entidade, trata-se de um avanço concreto na renovação da agenda bilateral e compatível com o papel do Brasil como importante parceiro dos Estados Unidos.

    O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) afirmou que os Estados Unidos representam entre 2 bilhões e 2,5 bilhões de dólares das exportações brasileiras de café. Segundo a entidade, as vendas para o país vinham sofrendo queda de cerca de 50% nos últimos três meses.

    O Cecafé destacou que ainda há uma pendência relacionada ao café solúvel, mas que todos os demais tipos foram isentos, o que restabelece condições de igualdade competitiva.

    A entidade ressaltou ainda o histórico brasileiro de sustentabilidade, transparência, organização produtiva, tecnologia e produtividade, além do papel do café nos debates climáticos da COP em Belém.

    Em vídeo divulgado em suas redes sociais, Lula afirmou que “não é tudo o que eu quero, não é tudo que o Brasil precisa, mas é uma coisa importante. O presidente Trump acaba de anunciar que vai começar a reduzir vários produtos brasileiros que foram taxados em 40%. Isso é um resultado muito importante”.

    Lula acrescentou que Trump está convidado a visitar o Brasil e disse esperar um convite para ir a Washington com o objetivo de encerrar “qualquer celeuma comercial e política entre Brasil e Estados Unidos”.

    Com a palavra, o ministro

    O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, classificou o fim das tarifas adicionais como um avanço significativo nas relações Brasil–Estados Unidos. Para ele, a decisão beneficia tanto o agronegócio brasileiro quanto os consumidores norte-americanos.

    Fávaro afirmou que ainda há temas a serem negociados, mas considerou a medida excelente para o setor agropecuário.

    Para a Amcham Brasil, “a medida representa um avanço importante rumo à normalização do comércio bilateral, com efeitos imediatos para a competitividade das empresas brasileiras envolvidas e sinaliza um resultado concreto do diálogo em alto nível entre os dois países”.

    A instituição destaca ainda que “ao mesmo tempo, reforça a necessidade de intensificar esse diálogo entre Brasil e Estados Unidos, com o objetivo de estender a eliminação dessas sobretaxas aos demais produtos ainda impactados — com destaque para bens industriais — e de aprofundar a cooperação bilateral em temas de interesse mútuo”.

    Principais dados

    • A nova ordem vinda de Washington é retroativa a 13 de novembro de 2025;

    • O Brasil exportou aproximadamente 8 bilhões de dólares em produtos alimentícios para os Estados Unidos em 2024;

    • A tarifa adicional de 40% era aplicada sobre uma base que já incluía outros encargos, tornando a importação praticamente inviável e reduzindo fortemente a competitividade dos produtos brasileiros;

    • O preço do café arábica caiu cerca de 4,6% logo após o anúncio, com registros de até 6% no mercado futuro.

    • As exportações brasileiras de produtos como o mel, pescados e o café solúvel continuam taxados em 50%.

    Produtos brasileiros beneficiados com o fim do tarifaço:

    1. Carnes bovinas - o anexo traz todas as categorias de carne bovina — fresca, refrigerada ou congelada — incluindo:

    • Carcaças e meias-carcaças

    • Cortes com osso

    • Cortes sem osso

    • Cortes de “high-quality beef”

    • Miúdos bovinos

    • Carne salgada, curada, seca ou defumada

    2. Frutas e vegetais - grande lista, incluindo:

    • Tomate (por sazonalidade)

    • Coco (fresco, desidratado, carne, água de coco)

    • Lima Tahiti / Lima da Pérsia

    • Abacate

    • Manga

    • Goiaba

    • Mangostim

    • Abacaxi (fresco e processado)

    • Papaya (mamão)

    • Diversas raízes tropicais: mandioca

    3. Café e derivados

    • Café verde

    • Café torrado

    • Café descafeinado

    • Cascas e películas de café (“husks and skins”)

    • Substitutos contendo café

    4. Chá, mate e especiarias - inclui diversas categorias de:

    • Chá verde

    • Chá preto

    • Erva-mate

    • Pimentas (piper, capsicum, paprika, pimenta-jamaica)

    • Noz-moscada

    • Cravo

    • Canela

    • Cardamomo

    • Açafrão

    • Gengibre

    • Cúrcuma

    • Misturas de especiarias

    5. Castanhas e sementes

    • Castanha-do-pará

    • Castanha de caju

    • Macadâmia

    • Nozes pignolia e outras

    • Sementes diversas (coentro, cominho, anis, funcho etc.)

    6. Sucos de frutas e derivados

    • Suco de Laranja (várias classificações)

    • Suco de limão / lima

    • Suco de abacaxi

    • Água de coco

    • Açaí (polpas e preparados)

    7. Produtos de cacau

    • Amêndoas de cacau

    • Pasta de cacau

    • Manteiga de cacau

    • Pó de cacau

    8. Produtos processados

    • Polpas de frutas (manga, banana, papaya etc.)

    • Geleias

    • Pastas e purês

    • Palmito

    • Tapioca, féculas e amidos

    • Produtos preservados em açúcar ou vinagre

    9. Fertilizantes (importante para o Brasil como exportador/importador)

    • Ureia

    • Sulfato de amônio

    • Nitrato de amônio

    • Misturas NPK

    • Fosfatos (MAP/DAP)

    • Cloreto de potássio (KCl) 

    Impactos esperados

    A competitividade dos produtos brasileiros deve melhorar no mercado norte-americano, com possível aumento do volume exportado e recuperação nas vendas de café, carnes e frutas.

    Se os Estados Unidos retomarem maiores volumes de importação, é provável que cresça a demanda por insumos, logística, transporte e armazenamento.

    Pode haver renegociação de contratos ou abertura de novos mercados que estavam travados pelas tarifas elevadas.

    A decisão também reduz custos para importadores americanos, o que pode gerar reflexos nos preços domésticos no Brasil e ajustes para compradores internacionais.

    Sinais de atenção

    A retirada das tarifas não garante aumento imediato das exportações, já que questões logísticas, certificações e acordos comerciais precisam ser ajustados.

    Mesmo com a barreira removida, os produtores brasileiros enfrentam concorrência intensa, custos elevados e exigências de qualidade rigorosas.

    Os efeitos sobre preços internos e câmbio também devem ser monitorados, já que volumes maiores de exportação podem influenciar a oferta doméstica e a valorização da moeda.

    China troca EUA pelo Brasil na compra de soja

    A China interrompeu as compras de soja dos Estados Unidos por pelo menos dois meses consecutivos, em setembro e outubro, segundo dados da Alfândega chinesa. O movimento ocorreu em meio às tensões comerciais e às tarifas elevadas sobre o produto americano.

    Como consequência, as importações chinesas de soja brasileira cresceram significativamente. Em outubro, a China comprou 7,12 milhões de toneladas do Brasil, aumento de 28,8% em relação ao mesmo mês do ano anterior.

    O volume representou 75,1% de toda a soja importada pela China naquele mês. Entre janeiro e outubro de 2025, a China importou 70,81 milhões de toneladas de soja brasileira, alta de 4,5% na comparação com o mesmo período de 2024.

    Em outubro, as importações totais de soja pela China chegaram a 9,48 milhões de toneladas, o maior volume já registrado para o mês.

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