Europa recolhe carne bovina do Brasil e amplia barreiras sobre acordo Mercosul–UE
Recolhimento ocorreu em ao menos 11 países após detecção de hormônios proibidos e reacende pressão contra o acordo comercial
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A Comissão Europeia determinou nesta segunda-feira (08) o recolhimento de lotes de carne bovina importada do Brasil no início de dezembro, após a detecção de hormônios proibidos em remessas destinadas a diversos países-membros.
A ação foi tomada em pelo menos 11 países da União Europeia, além do Reino Unido, o que gerou forte repercussão internacional, reacendendo a pressão contra o Acordo Mercosul–UE.
As autoridades sanitárias europeias afirmaram que, diante da irregularidade identificada, os produtos foram imediatamente retirados das prateleiras. Ainda não há informações sobre a origem da carne barrada. As informações são do Agro Estadão.
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Países como Alemanha, Itália, Áustria, Países Baixos, Grécia e Irlanda, entre outros, emitiram alertas e iniciaram processos de recall de carne brasileira, evidenciando falhas nos controles sanitários que despertaram preocupação de importadores e dão gás ao protecionismo de produtores europeus.
Acordo no fio da navalha
Embora não seja incomum, o episódio surge em um momento decisivo para a possível assinatura do Acordo Mercosul–UE, tratativa entre as partes que já se alonga por mais de 20 anos.
A pressão interna entre países europeus, especialmente França, Polônia, Irlanda e Itália, tende a aumentar após o incidente da carne recolhida.
Em resposta à pressão destes países com forte lobby agrícola, o Parlamento Europeu aprovou, na noite desta segunda-feira (08), uma proposta de salvaguardas que pretende reduzir ganhos dos produtores do Mercosul em solo europeu.
O texto inicialmente aprovado é ainda mais restritivo que a proposta inicial e prevê a possibilidade de abertura de investigações comerciais contra o Mercosul quando as vendas de produtos agrícolas tidos como sensíveis, como carne bovina ou aves, aumentarem 5% ao longo de três anos.
O percentual originalmente previsto no primeiro texto sobre salvaguardas falava em 10%.
O mecanismo também prevê investigação rápida sobre os efeitos econômicos, até a interrupção temporária de importações, caso cotas importadas cresçam rapidamente ou preços caiam drasticamente, dentro da nova margem de 5%.
Agora, a proposta será deliberada pelo Parlamento Europeu no próximo dia 16, com chances reais de aprovação, como apontou reportagem da CNN.
A possibilidade de ampliação das exportações de produtos agrícolas do Mercosul para o mercado europeu já era limitada pelas cotas anuais impostas: 99 mil toneladas de carne bovina, 180 mil toneladas de carne de frango, 25 mil toneladas de carne suína, 180 mil toneladas de açúcar e 30 mil toneladas de queijos.
Agora, se o agronegócio do chamado Sul Global não puder se beneficiar nem mesmo das cotas limitadas, é preciso reavaliar o próprio acordo em si, como sugere um funcionário de alto escalão do governo.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva havia cravado a assinatura do acordo para o dia 20 de dezembro. As salvaguardas ainda mais restritivas, caso aprovadas, criam um impasse de última hora que pode inviabilizar o acordo.
Sinal amarelo
Para a pecuária exportadora brasileira, o momento exige atenção redobrada.
Apesar de o país ser referência global em exportação de carne bovina, o episódio do lote de carnes recolhido mostra que os controles sanitários ou de rastreabilidade precisam de ainda mais aprimoramento frente ao escrutínio de mercados com padrões que beiram o protecionismo, como os da União Europeia.
Além disso, o risco de que novos lotes sejam rejeitados ou submetidos a processos de recall adiciona incertezas para empresas exportadoras e toda a cadeia: frigoríficos, produtores, transportadores e distribuidores podem sofrer impactos econômicos e reputacionais.
Do ponto de vista da exportação, o recolhimento pode reduzir a confiança do comprador europeu e atrasar ou reduzir pedidos, o que desafia o Brasil a reforçar governança sanitária, rastreabilidade, certificações e transparência em toda a cadeia produtiva.