Biodiesel: Biopower, da JBS, investe R$ 140 milhões em três usinas para dar salto na produção

    Maior aporte desde 2021 tem objetivo de ganho de eficiência e prepara a empresa para atender à expansão do biodiesel no Brasil

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    Biodiesel: Biopower, da JBS, investe R$ 140 milhões em três usinas para dar salto na produção
    29deDezembrode2025ás08:48

    A Biopower, empresa da JBS Novos Negócios especializada na produção de biodiesel, anunciou um investimento de R$ 140 milhões em modernização e inovação tecnológica de suas três usinas, localizadas em Lins (São Paulo), Campo Verde (Mato Grosso) e Mafra (Santa Catarina).

    Trata-se do maior aporte desde a construção da unidade catarinense, em 2021, e marca a preparação da companhia para um novo ciclo de crescimento.

    Com as melhorias, a Biopower projeta uma produção recorde superior a 650 milhões de litros em 2025. 

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    Entre os principais projetos está a implementação da tecnologia de esterificação enzimática, processo que substitui catalisadores químicos por enzimas de alta eficiência.

    A mudança deve resultar em ganho de produtividade, maior flexibilidade no uso de diferentes matérias-primas — como sebo bovino e óleo de cozinha usado — e na conversão de subprodutos que antes eram comercializados separadamente em biodiesel.

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    A implantação começa neste ano, com conclusão prevista para meados de 2026. 

    “Investimos para aprimorar ainda mais um produto que já tem reconhecimento de excelência no mercado e para nos mantermos na vanguarda de um setor em plena expansão”, afirma Alexandre Pereira, diretor da Biopower.

    “Essa modernização nos dará mais eficiência e elasticidade produtiva, garantindo nossa competitividade para atender a uma demanda por biodiesel que, certamente, continuará crescendo”, completa.

    O anúncio ocorre em um momento simbólico para a operação: a unidade de Mafra atingiu recentemente a marca de 1 bilhão de litros de biodiesel produzidos. 

    Demanda crescente e marco regulatório 

    O avanço do investimento ocorre em um contexto de forte expansão do mercado de biocombustíveis no Brasil, impulsionado pela legislação que prevê o aumento gradual da mistura obrigatória de biodiesel no diesel fóssil para 20% (B20) até 2030, diz a empresa.

    Atualmente, a mistura está em 15%. É nesse cenário que a Biopower se posiciona para capturar novas oportunidades e contribuir para o objetivo do país de consolidar-se como potência em energia limpa. 

    Ao longo de 18 anos de atuação, a empresa já produziu mais de 4 bilhões de litros de biodiesel, volume que evitou a emissão de cerca de 9 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO₂). 

    Descarbonização do transporte marítimo

    A Biopower também avança em frentes ligadas à descarbonização do transporte marítimo. As metas globais definidas pela Organização Marítima Internacional (IMO), que busca emissões líquidas zero no setor até 2050, ampliam o espaço para combustíveis sustentáveis.

    Nesse contexto, o biodiesel surge como alternativa imediata ao diesel naval tradicional, com a vantagem de poder ser utilizado sem adaptações nas embarcações, mantendo desempenho e custo competitivo frente a outras tecnologias. 

    Além disso, a empresa conta com certificações e sistemas de rastreabilidade internacional, como o selo ISCC (International Sustainability and Carbon Certification), exigido pelo mercado europeu, e a certificação da Environmental Protection Agency (EPA), dos Estados Unidos.

    “À medida que o mundo acelera a transição para uma matriz energética mais limpa, queremos ser referência em soluções reais e acessíveis. Além do aumento da mistura para B20 nos próximos anos, o mercado de descarbonização naval surge como uma frente estratégica, que nos inspira a continuar inovando e ampliando nosso papel na construção de um futuro mais sustentável”, afirma Pereira. 

    Economia circular e impacto regional

    A Biopower é apresentada pela JBS como um exemplo de aplicação do modelo de economia circular em seus negócios, ao transformar resíduos em insumos energéticos. Atualmente, cerca de 99% de cada bovino processado pela companhia é aproveitado. No caso de aves e suínos, o índice se aproxima de 95%. Esse modelo combina reaproveitamento de matéria-prima, geração de empregos e redução de impactos logísticos e ambientais.

    As operações da Biopower funcionam 24 horas por dia e empregam cerca de 300 colaboradores diretos nas três unidades, com impacto relevante na economia regional. 

    Para o diretor da empresa, a tecnologia ganha escala quando combinada ao capital humano. “A tecnologia é uma ferramenta, mas a inovação nasce das pessoas. Temos um time que não somente opera, mas que cria, melhora e supera desafios. Foi essa expertise que nos permitiu, por exemplo, ser pioneiros no uso de diferentes tipos de matéria-prima. É esse conhecimento que representa nosso ativo mais valioso e que nos diferencia da concorrência”, afirma.

    Biopower em números

    • Usinas: Lins (São Paulo), Campo Verde (Mato Grosso) e Mafra (Santa Catarina)

    • Capacidade instalada: mais de 900 milhões de litros por ano (5ª maior do Brasil)

    • Produção projetada para 2025: mais de 650 milhões de litros

    • Presença nacional: entregas em mais de 22 estados

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