Acordo Mercosul-UE dará fim ao queijo parmesão, diz ministro italiano
São 350 produtos do Mercosul que poderão trocar de nome, caso façam referência a regiões europeias que produzam o mesmo item
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O ministro da Agricultura da Itália, Francesco Lollobrigida, deu um fala inusitada, durante entrevista em Bruxelas, sobre os desdobramentos do agora possível acordo União Europeia (EU)-Mercosul.
A autoridade italiana afirmou que o país apoiaria o acordo entre os blocos econômicos, e que o tratado traria resultados positivos aos países membros, como, por exemplo, o “fim do parmesão”.
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Embora o tom tenha sido de descontração, o ministro reforçou que é “bem possível” que a indústria sul-americana tenha de alterar o nome de diversos produtos ligados exclusivamente a regiões europeias. A apuração é da Folha de São Paulo.
Por exemplo, no caso do queijo parmesão brasileiro, o produto é um correspondente à iguaria Parmigiano-Reggiano, que só existe na Itália e só pode ser fabricado em uma região específica do país.

A questão vai além: na linha de bebidas, similares poderão ser vetados de usar nomes de produtos de regiões francesas como Champagne e Cognac, nomenclaturas, aliás, que já são respeitadas no Brasil, mas não em todos os países do Mercosul.
No total, aproximadamente 350 nomenclaturas de produtos do Mercosul correspondentes (ou próximas) a regiões produtoras da Europa poderão ser obrigadas a mudar sua designação.
Ainda no caso dos queijos, o Mercosul prevê a isenção de taxas até para 30 mil toneladas de queijo europeu por ano.
Garantias para além das Salvaguardas
Segundo Lollobrigida, a Itália busca garantias adicionais sobre salvaguardas já rígidas e que possam entrar em ação caso a entrada de produtos do Mercosul no mercado europeu cresça de forma que prejudique os agricultores europeus, como setores sensíveis como laticínios, frutas e carnes.
Essa proposta tem o objetivo de tornar mais fácil defender os agricultores europeus caso sofram impactos significativos por concorrência externa.
Além disso, a Itália quer que os produtos importados do Mercosul cumpram os mesmos padrões de segurança alimentar e sanitária exigidos dentro da UE, reforçando a exigência de reciprocidade de critérios.
Apesar de todas as exigências, a França, maior produtor agrícola do bloco europeu, já afirmou que entrará na Justiça para tentar barrar o acordo.