Acordo Mercosul–UE: principais pontos e cotas

    Entenda como funcionam as regras, salvaguardas, compromissos ambientais e etapas de aprovação do pacto entre os blocos

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    Acordo Mercosul–UE: principais pontos e cotas
    12deJaneirode2026ás08:44

    Após mais de 25 anos de negociações, o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE) foi aprovado nesta sexta-feira (9) pelo Conselho da UE.

    Com previsão de assinatura no dia 17, em Assunção, no Paraguai, o tratado estabelece as bases da maior zona de livre comércio do mundo, envolvendo cerca de 700 milhões de pessoas.

    Embora celebrado por governos e setores industriais, o acordo ainda enfrenta resistência de agricultores europeus e ambientalistas, que apontam possíveis impactos sobre o clima e a concorrência no setor agrícola.

    A implementação será gradual, e os efeitos práticos devem ser sentidos ao longo de vários anos.

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    Após a assinatura formal, o texto ainda precisará ser aprovado pelo Parlamento Europeu.

    Partes que extrapolam a política comercial, como acordos técnicos, exigirão ratificação nos parlamentos nacionais da UE, o que pode alongar o cronograma e abrir espaço para disputas políticas.

    A seguir, veja os principais pontos do acordo.

    1. Eliminação de tarifas alfandegárias

    O acordo prevê a redução gradual de tarifas sobre a maior parte dos bens e serviços comercializados entre os blocos.

    • O Mercosul zerará tarifas sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos;

    • A União Europeia eliminará tarifas sobre 95% dos bens do Mercosul em até 12 anos.

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    2. Ganhos imediatos para a indústria

    Diversos produtos industriais terão tarifa zero desde o início da vigência do acordo.

    Setores beneficiados:

    • Máquinas e equipamentos;

    • Automóveis e autopeças;

    • Produtos químicos;

    • Aeronaves e equipamentos de transporte.

    3. Acesso ampliado ao mercado europeu

    • Empresas do Mercosul ganham preferência em um mercado de alto poder aquisitivo;

    • A UE tem PIB estimado em US$ 22 trilhões;

    • O comércio tende a ser mais previsível, com menos barreiras técnicas.

    4. Cotas para produtos agrícolas sensíveis

    Para o agronegócio brasileiro, o acordo amplia o acesso ao mercado europeu, mas estabelece limites.

    • Produtos como carne bovina, frango, arroz, mel, açúcar e etanol terão cotas de importação;

    • Acima dessas cotas, haverá cobrança de tarifa;

    • As cotas crescem ao longo do tempo, com tarifas reduzidas gradualmente, em vez de uma liberalização imediata;

    • O mecanismo busca evitar impactos abruptos sobre agricultores europeus;

    • Na UE, as cotas equivalem a 3% dos bens ou 5% do valor importado do Brasil;

    • No mercado brasileiro, chegam a 9% dos bens ou 8% do valor.

    Principais cotas:

    • Açúcar: 180 mil toneladas, com tarifa zero, além de uma cota específica de 10 mil toneladas para o Paraguai;

    • Arroz: 60 mil toneladas, com tarifa zero;

    • Carne bovina: 99 mil toneladas (peso carcaça), sendo 55% resfriada e 45% congelada, com tarifa intraquota de 7,5% e crescimento em seis etapas. A tradicional Cota Hilton (10 mil toneladas) terá a tarifa reduzida de 20% para 0% com a entrada em vigor do acordo;

    • Carne de aves: 180 mil toneladas, com tarifa zero dentro da cota, divididas igualmente entre cortes com osso e desossados;

    •  Segmento de ovos: foram criados contingentes específicos de 3 mil toneladas anuais para ovos processados e 3 mil toneladas para albuminas, ambos isentos de tarifa intracota. foram criados contingentes específicos de 3 mil toneladas anuais para ovos processados e 3 mil toneladas para albuminas, ambos isentos de tarifa intracota.

    • Carne suína: 25 mil toneladas, com tarifa intraquota de € 83 por tonelada;

    • Mel: 45 mil toneladas, com tarifa zero.

    • Milho e sorgo: 1 milhão de toneladas, com tarifa zero dentro da cota;

    • Etanol: 450 mil toneladas de etanol industrial com tarifa zero; além de 200 mil toneladas para outros usos, com tarifa reduzida (um terço da tarifa europeia atual);

    Alguns produtos terão liberalização sem cotas, como frutas frescas, cujas tarifas serão totalmente eliminadas. 

    O café em grão — que representa 97% das vendas do setor ao bloco europeu — já entra sem tarifa. No entanto, o café solúvel é taxado em 9%, e o torrado e moído, em 7,5%. Com o acordo, essas tarifas serão eliminadas ao longo de quatro anos.

    5. Salvaguardas agrícolas

    A União Europeia poderá reintroduzir tarifas temporariamente caso:

    • As importações cresçam acima de limites definidos;

    • Os preços fiquem muito abaixo do mercado europeu;

    • As cadeias produtivas sejam consideradas sensíveis.

    6. Compromissos ambientais obrigatórios

    • Produtos beneficiados pelo acordo não poderão estar ligados a desmatamento ilegal;

    • As cláusulas ambientais são vinculantes;

    • Há possibilidade de suspensão do acordo em caso de violação do Acordo de Paris.

    7. Regras sanitárias continuam rigorosas

    • A UE não flexibiliza seus padrões sanitários e fitossanitários;

    • Produtos importados seguirão regras rígidas de segurança alimentar.

    8. Comércio de serviços e investimentos

    Redução da discriminação regulatória contra investidores estrangeiros;

    Avanços em setores como:

    • Serviços financeiros;

    • Telecomunicações;

    • Transporte;

    • Serviços empresariais.

    9. Compras públicas

    • Empresas do Mercosul poderão disputar licitações públicas na União Europeia;

    • As regras passam a ser mais transparentes e previsíveis.

    10. Proteção à propriedade intelectual

    • Reconhecimento de cerca de 350 indicações geográficas europeias;

    • Regras claras sobre marcas, patentes e direitos autorais.

    11. Pequenas e médias empresas (PMEs)

    • Capítulo específico para PMEs;

    • Medidas de facilitação aduaneira e acesso à informação;

    • Redução de custos e burocracia para pequenos exportadores.

    12. Impacto para o Brasil

    • Potencial de aumento das exportações, especialmente do agro e da indústria;

    • Maior integração às cadeias globais de valor;

    • Possível atração de investimentos estrangeiros no médio e longo prazo.

    13. Próximos passos

    • Assinatura prevista para 17 de janeiro, no Paraguai;

    • Aprovação pelo Parlamento Europeu;

    • Ratificação nos Congressos do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai;

    • Entrada em vigor apenas após a conclusão de todos os trâmites;

    • Acordos que extrapolam a política comercial precisarão ser aprovados pelos parlamentos de cada país.

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