Banco Central mantém PIB de 2026 em 1,6% e alerta para riscos com conflito no Oriente Médio

Relatório de Política Monetária aponta maior incerteza global, pressão sobre a inflação e possível impacto no crescimento da economia brasileira

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Banco Central mantém PIB de 2026 em 1,6% e alerta para riscos com conflito no Oriente Médio
26deMarçode2026ás13:39

O Banco Central manteve em 1,6% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil para 2026 e alertou para o aumento das incertezas globais, especialmente diante dos riscos associados ao conflito no Oriente Médio.

A estimativa consta no Relatório de Política Monetária divulgado nesta quinta-feira (26).

Segundo a autarquia, a persistência do conflito pode provocar efeitos relevantes tanto no Brasil quanto no exterior.  

“Se prolongado [o conflito], seus impactos predominantes, no país e no exterior, devem ser consistentes com um choque negativo de oferta, aumentando a inflação e reduzindo o crescimento, ainda que alguns setores da economia brasileira, especialmente o petrolífero, possam se beneficiar”, destaca o relatório. 

O Banco Central também alerta para possíveis impactos mais duradouros sobre preços e atividade econômica.

“Se a distribuição de mercadorias continuar interrompida e a capacidade de produção reduzida na região por muito tempo, o impacto sobre os preços e a atividade pode ser duradouro e significativo”, acrescenta. 

A projeção para o PIB considera os dados do primeiro trimestre de 2026 e repete o mesmo patamar indicado no relatório de dezembro. De acordo com a instituição, a estabilidade da estimativa está associada ao desempenho próximo do esperado no quarto trimestre de 2025 e à perspectiva de crescimento moderado ao longo do próximo ano.

“Esse cenário é condicionado pela expectativa de política monetária em campo restritivo [juros altos], pelo baixo nível de ociosidade dos fatores de produção, pela perspectiva de desaceleração da economia global e pela ausência do impulso agropecuário observado em 2025”, explicou o Banco Central. 

Em 2025, o PIB brasileiro avançou 2,3%, com crescimento disseminado entre os setores, mas impulsionado principalmente pela agropecuária. 

O relatório também incorpora efeitos de medidas recentes voltadas ao estímulo da demanda doméstica, como o aumento real do salário mínimo e mudanças no Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), incluindo isenção ou descontos para rendas de até R$ 5 mil ou R$ 7 mil.