De Norte a Sul: o novo mapa da inovação no agro brasileiro

    Startups do agro avançam pelo Brasil, Sul lidera em ambientes de inovação e setor mostra sinais de maturidade

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    De Norte a Sul: o novo mapa da inovação no agro brasileiro
    01deAbrilde2026ás11:11

    O ritmo de crescimento das startups do agronegócio no Brasil diminuiu em 2025, mas o cenário indica uma mudança importante no perfil do setor, com maior dispersão geográfica e avanço na consolidação do ecossistema.

    O retrato faz parte da sexta edição do Radar Agtech Brasil, estudo conduzido pela Embrapa, SP Ventures e Homo Ludens.

    Os números apontam que, apesar da expansão mais contida no total de empresas, as agtechs ampliaram sua presença pelo país, avançando sobre regiões estratégicas da produção agropecuária e reduzindo a concentração tradicional no Sudeste.

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    O principal destaque do levantamento é a mudança na liderança regional em ambientes de inovação. A Região Sul passou a concentrar 37,18% dos 390 ambientes mapeados no país, superando o Sudeste, que reúne 32,82%.

    O resultado reflete o avanço de estados como Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

    Neste último, houve aumento expressivo no número de incubadoras, movimento associado a políticas públicas de incentivo à inovação e à atuação de universidades estaduais.

    O estudo indica perfis distintos entre as duas regiões líderes. Enquanto o Sul apresenta maior foco em incubadoras e nas etapas iniciais de formação das startups, o Sudeste concentra hubs, aceleradoras e ecossistemas com governança mais estruturada, indicando um estágio mais avançado de maturidade.

    Crescimento desacelera e indica consolidação

    O Brasil contabilizou 2.075 agtechs em 2025, número 5% superior ao registrado no ano anterior. Apesar da alta, o ritmo de crescimento é inferior ao observado nos anos anteriores, especialmente no período entre 2019 e 2021.

    Segundo os autores do levantamento, o avanço mais moderado indica um processo de maturidade do ecossistema, com maior consolidação dos modelos de negócio e permanência das empresas mais estruturadas.

    Sul e Sudeste ainda concentram maioria das agtechs

    Mesmo com a expansão geográfica, a concentração ainda é significativa. As regiões Sudeste e Sul reúnem, juntas, 79% das agtechs, sendo 55,2% no Sudeste e 23,7% no Sul.

    Por outro lado, há avanço proporcional nas demais regiões:

    • Região Norte: 7,6%

    • Região Nordeste: 6,5%

    • Região Centro-Oeste: 7,1%

    O movimento indica uma gradual interiorização das startups e maior proximidade com áreas estratégicas da produção agropecuária.

    Distribuição por estados

    Em 2025, alguns estados se destacam em número de agtechs:

    • Amazonas: 17 empresas

    • Goiás: 15

    • Mato Grosso: 14

    Entre os estados que mais ganharam agtechs no período, aparecem:

    • Minas Gerais: 13 novas empresas

    • Rondônia: 13 

    Por outro lado, houve redução em:

    • Rio Grande do Sul: -27

    • Tocantins: -7

    • Distrito Federal: -7

    • São Paulo: -6

    Presença no campo reforça maturidade

    A expansão geográfica ocorre ao mesmo tempo em que cresce a proporção das agtechs atuando dentro das fazendas.

    Segundo o levantamento, esse movimento indica um estágio mais avançado do ecossistema, no qual as empresas já conseguem acessar diretamente o produtor rural e aplicar suas soluções no campo.

    Inteligência artificial ganha protagonismo

    A tecnologia digital já é amplamente incorporada ao setor. Segundo o levantamento:

    • 83% das agtechs utilizam inteligência artificial

    • 35% têm a IA como núcleo da proposta de valor

    O dado indica que a inteligência artificial deixou de ser um diferencial e passou a ser elemento estrutural dos modelos de negócio.

    Áreas de atuação

    As agtechs brasileiras atuam principalmente em duas frentes:

    • Dentro da fazenda: 41,1%

    • Depois da fazenda: 40,5%

    No recorte por áreas específicas, o ranking é liderado por:

    • Alimentos inovadores e novas tendências alimentares: 15%

    • Sistemas de gestão da propriedade rural: 8%

    • Plataformas integradoras de sistemas, soluções e dados: 7,5%

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