CNseg projeta queda de 3,9% no seguro rural em 2026

    Falta de recursos para subvenção trava mercado, reduz cobertura e pressiona custos do seguro no país

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    CNseg projeta queda de 3,9% no seguro rural em 2026
    09deAbrilde2026ás17:00

    A Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) revisou para baixo a projeção de desempenho do seguro rural em 2026.

    A estimativa anterior indicava crescimento nominal de 2,3%, mas a nova previsão aponta queda de 3,9%, refletindo um cenário de retração após um 2025 já marcado por recuo.

    Segundo o presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, a revisão está diretamente ligada à insuficiência de recursos no orçamento federal destinados ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), que subsidia parte do custo das apólices para os produtores. Sem esse apoio, a tendência é de redução na contratação.

    “O principal fator é que ainda não tivemos, no orçamento deste ano, os recursos necessários para retomar a trajetória de crescimento do seguro rural”, afirmou Oliveira. “Isso acaba travando o mercado e levou à revisão da projeção.”

    Dados da entidade mostram que a arrecadação do segmento rural somou R$ 12,9 bilhões em 2025, uma queda de 8,8% em relação a 2024. Apenas em janeiro deste ano, o recuo foi de 12,2%, totalizando R$ 1,1 bilhão.

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    Cobertura encolhe e acende alerta

    redução da área segurada também preocupa o setor. Segundo a CNseg, a cobertura agrícola no país caiu de cerca de 13,7 milhões de hectares para 3,2 milhões em 2025 — o equivalente a 3,3% da área plantada nacional, refletindo a retração da subvenção federal.

    Para Oliveira, esse cenário cria um efeito em cadeia. Com menos produtores contratando apólices, o risco médio da carteira aumenta, elevando o custo do seguro e desestimulando novas adesões, além de afastar seguradoras do mercado.

    “O seguro funciona pela diluição do risco. Quando menos produtores participam, o custo médio sobe e o mercado perde competitividade”, explicou.

    A queda na cobertura ocorre em um momento de aumento dos riscos climáticos para o agronegócio. Segundo levantamento citado pela CNseg, o Brasil registra perdas médias de cerca de R$ 60 bilhões por ano em eventos climáticos, com impacto relevante sobre o setor agrícola..

    Propostas para fortalecer o seguro rural

    Diante do cenário, a entidade defende a criação de mecanismos estruturais para fortalecer o seguro rural. Entre as propostas estão a garantia de orçamento estável para o PSR e a criação de um fundo de estabilização, que permitiria compensar anos de maior sinistralidade e reduzir a volatilidade dos prêmios.

    No Congresso, também está em discussão um projeto de lei relatado pelo deputado Pedro Lupion e de autoria da senadora Tereza Cristina, que busca impedir o contingenciamento de recursos do programa e estruturar o fundo de estabilização.

    Segundo Oliveira, o fortalecimento do seguro rural é estratégico diante da mudança no modelo de financiamento do agronegócio brasileiro, cada vez mais baseado em capital privado.

    “Com mais financiamento privado no campo, cresce a necessidade de mecanismos que transmitam segurança ao investidor. O seguro é uma peça fundamental para garantir estabilidade e confiança no sistema”, afirmou.

    Para o setor segurador, sem a ampliação consistente da cobertura e do apoio público, o agronegócio brasileiro tende a ficar mais exposto a riscos climáticos e financeiros, justamente em um momento de maior dependência de recursos de mercado.

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