Pesquisadora da Embrapa entra na lista das 100 mais influentes do mundo

    Reconhecimento destaca cientista brasileira, vencedora do World Food Prize, considerado o “Nobel da Agricultura”, por avanços em tecnologias sustentáveis no agro

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    Pesquisadora da Embrapa entra na lista das 100 mais influentes do mundo
    15deAbrilde2026ás13:31

    A pesquisadora brasileira Mariangela Hungria, da Embrapa Soja, foi incluída na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo em 2026, divulgada pela revista americana Time.

    Ela aparece na categoria “pioneiros”, em reconhecimento ao trabalho desenvolvido na área de microbiologia e fixação biológica do nitrogênio.

    A seleção destaca personalidades com impacto global, inovação e relevância em suas áreas de atuação. Ao comentar a conquista, Mariangela afirmou que o reconhecimento ainda parece difícil de assimilar. “Estamos falando de um reconhecimento das pessoas mais influentes do mundo”, disse.

    A pesquisadora também ressaltou o simbolismo da premiação para a ciência nacional.

    “É um grande orgulho para a pesquisa brasileira, principalmente por um tema tão relevante: o uso de biológicos substituindo produtos químicos”, afirmou, ao destacar o trabalho desenvolvido pela Embrapa no avanço dos insumos biológicos.

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    Ela ainda apontou que a distinção reflete uma mudança na forma como o mundo enxerga a produção de alimentos.  “Isso mostra que o mundo considera importante produzir alimentos que promovam a saúde do solo e das pessoas, com menos resíduos químicos, dentro do conceito de saúde única”, disse. Para Mariangela, a visibilidade internacional pode ampliar o protagonismo do Brasil no setor. “Além da alegria pelo reconhecimento, isso ajuda a divulgar essa bandeira dos biológicos, na qual o Brasil já é líder mundial — e pode se tornar ainda mais”, concluiu.

    No ano passado, a pesquisadora já havia sido reconhecida com o prêmio da instituição americana World Food Prize, considerado o “Nobel da Agricultura”.

    Quem é Mariangela Hungria

    Nascida em 6 de fevereiro de 1958, em São Paulo, e criada em Itapetinga (SP), Mariangela Hungria é engenheira agrônoma, pesquisadora e professora universitária, com atuação consolidada no desenvolvimento de insumos biológicos para a agricultura.

    O interesse pela área começou ainda na infância. Aos oito anos, ao ler o livro Caçadores de Micróbios, de Paul de Kruif, decidiu seguir carreira na microbiologia, com foco em solo e plantas.

    Desde 1982, desenvolve pesquisas que resultaram no lançamento de mais de 30 tecnologias. Ao longo da carreira, acumula mais de 500 publicações científicas, além de ter orientado mais de 200 alunos de graduação e pós-graduação.

    Contribuições ao agro

    Com mais de quatro décadas de atuação em microbiologia do solo, Mariangela é uma das pioneiras no uso de bactérias fixadoras de nitrogênio na soja — tecnologia que hoje está presente em cerca de 85% da área cultivada no Brasil, o equivalente a aproximadamente 40 milhões de hectares.

    As pesquisas lideradas por ela demonstraram que a inoculação anual da soja com Bradyrhizobium pode elevar, em média, 8% a produtividade da cultura, mesmo sem o uso de fertilizantes nitrogenados. A ampla adoção da prática pelos produtores reforça os resultados obtidos em campo.

    Outra inovação relevante foi a coinoculação da soja, lançada em 2014, que combina bactérias fixadoras de nitrogênio com microrganismos promotores de crescimento. Em pouco mais de uma década, a tecnologia já alcança cerca de 35% da área cultivada.

    Os impactos são expressivos. Apenas em 2025, a economia com a substituição de fertilizantes nitrogenados foi estimada em 25 bilhões de dólares. No campo ambiental, o uso dessas soluções contribuiu para evitar a emissão de mais de 230 milhões de toneladas de CO₂ equivalente em 2024.

    Além da soja, as pesquisas coordenadas pela cientista também resultaram em tecnologias aplicadas a culturas como feijão, milho, trigo e pastagens. Em gramíneas, por exemplo, soluções desenvolvidas permitiram reduzir em até 25% a necessidade de fertilização nitrogenada no milho.

    Trajetória

    Formada em Engenharia Agronômica pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), Mariangela possui mestrado em Solos e Nutrição de Plantas e doutorado em Ciência do Solo pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.

    Durante o doutorado, trabalhou na Embrapa sob orientação da pesquisadora Johanna Döbereiner, referência mundial na fixação biológica de nitrogênio e considerada por Mariangela sua principal mentora.

    Desde 1982, integra o quadro da Embrapa, com atuação inicial na unidade de Agrobiologia, no Rio de Janeiro, e, desde 1991, na Embrapa Soja, em Londrina (PR). A cientista também realizou pós-doutorado em instituições nos Estados Unidos e na Espanha, como Cornell University, University of California-Davis e Universidade de Sevilla.

     

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