Baldan aposta em máquinas “na medida”, entra na cana e reforça soluções para destravar vendas na Agrishow

    Empresa amplia portfólio, aposta em pulverização e reforça alternativas financeiras em meio a cenário mais desafiador para o produtor

    O principal movimento é a chegada ao setor sucroenergético com o pulverizador autopropelido Avola, desenvolvido a partir da plataforma de grãos.

    O principal movimento é a chegada ao setor sucroenergético com o pulverizador autopropelido Avola, desenvolvido a partir da plataforma de grãos.

    17deAbrilde2026ás14:04

    Fundadora da Agrishow, a Baldan chega à edição de 2026 ciente de um ambiente mais desafiador para o produtor, mas sem tirar o pé do acelerador. 

    A empresa amplia o portfólio, com entrada no segmento de cana-de-açúcar, e reforça um pacote de soluções financeiras para facilitar o acesso às máquinas.

    A dois anos do centenário, a leitura interna é direta: o próximo ciclo já começou.

    >> SIGA O CANAL DO AGROFY NEWS NO WHATSAPP

    >> ENCONTRE PRODUTOS E SOLUÇÕES PARA O AGRO NO AGROFY MARKET

    Entrada na cana marca nova frente

    O principal movimento é a chegada ao setor sucroenergético com o pulverizador autopropelido Avola, desenvolvido a partir da plataforma de grãos.

    O modelo conta com capacidade de 3 mil litros de calda e barras de 24 e 27 metros na versão voltada à cana-de-açúcar, além de tração 4x4 com controle inteligente e sistema antipatinação, voltado a garantir desempenho em áreas mais críticas de solo, comuns nos canaviais.

    Pulverizador autopropelido Avola da Baldan para cana-de-açúcar, com barras de 24 e 27 metros, na Agrishow 2026

    Segundo o diretor de Inovação e P&D da empresa, Caio Giaretta (foto abaixo), o desafio foi avançar em tecnologia sem comprometer a operação.

    “Tecnologia adequada tem que ser o quê? Para atender o que o cliente precisa. Uma máquina totalmente analógica não chega nesse requerimento, mas também não pode complicar a operação”, afirmou.

    Ele destaca que, mesmo com eletrônica embarcada, a proposta foi manter simplicidade no uso.

    “O terminal de operações é extremamente intuitivo. A ideia é que o operador trabalhe como se fosse uma máquina mecânica, com poucas configurações e total controle da operação.”

    Caio Giaretta, diretor de Inovação e P&D da Baldan, durante apresentação de máquinas na Agrishow 2026

    Pulverização vira frente de crescimento

    Além da versão voltada à cana, a Baldan leva para a feira a nova versão do pulverizador autopropelido Avola para grãos, com capacidade de 3.500 litros de calda, além de outros modelos da linha.

    A pulverização virou uma das principais frentes de crescimento da companhia, concentrando investimentos e novos desenvolvimentos dentro da estratégia de ampliação de portfólio.

    Na linha de plantio, a empresa apresenta a semeadora pantográfica PP Solo G2, voltada para sistemas com alta densidade de palhada.

    O equipamento aposta em maior vazão de resíduos e chassi elevado para evitar acúmulo de material e travamentos, além de exigir menor potência do trator.

    “O principal ponto é garantir que a máquina consiga trabalhar mesmo em condições desfavoráveis de umidade ou pós-chuva”, destacou o time técnico.

    Dosagem vira diferencial competitivo

    Mais do que ampliar o portfólio, a Baldan tem direcionado o desenvolvimento para simplificar o uso das máquinas — ponto cada vez mais valorizado no campo.

    “O terminal de operações incomoda muito quando tem informação demais. Aqui a gente deixou tudo extremamente intuitivo, com as funções concentradas no joystick”, afirmou Caio. “A máquina tem que funcionar. Se der problema em um sensor, o operador precisa saber o que fazer. Não pode parar.”

    Segundo o CEO Fernando Capra, é o que a empresa chama de "dosagem de tecnologia".

    “Quando a gente fala em inovação, ela é bastante ampla, mas o que a gente preza muito é a dosagem dessa inovação. A gente vive hoje um boom de tecnologia e equipamentos que muitas vezes carregam demais o equipamento e a utilização não é na totalidade”, explicou Capra.

    Além dos principais lançamentos, a Baldan leva à Agrishow 2026 outros equipamentos do portfólio, incluindo o pulverizador autopropelido Avola, nas versões para grãos e cana-de-açúcar, os pulverizadores de barra Liri-AM e Liri-Pec, voltados à pecuária e outras culturas, além das semeadoras pantográficas PP Solo G2 e SPA Line, ampliando a presença em diferentes frentes do agro.

    Soluções financeiras viram peça-chave para destravar vendas

    Para viabilizar a compra em um cenário de crédito mais restrito, a Baldan chega à feira com um pacote ampliado de soluções financeiras, que ganhou peso dentro da estratégia comercial.

    Segundo o CFO Wolney Netto, a companhia foi pioneira ao adaptar o barter — tradicional no mercado de insumos — para a compra de máquinas. Nesta modalidade, a operação é estruturada em parceria com a plataforma Grão Direto.”

    “O produtor já está acostumado a trocar grão por insumo. A gente trouxe essa lógica para implementos”, afirmou.

    Apesar do interesse crescente, o modelo ainda passa por uma fase de adaptação.

    “No ano passado, foi um teste. Fizemos poucas operações, mas gerou muita demanda. Muitas vezes o cliente chega pelo barter e acaba fechando de outra forma.”

    A empresa agora amplia a modalidade para novas culturas, como o algodão, e reforça outras alternativas, como consórcio, financiamento e aluguel.

    “O que a gente vem fazendo é oferecer opções. Como o produtor quer pagar? Quer barter, quer consórcio, quer alugar? A gente adapta.”

    Segundo ele, o consórcio tem ganhado espaço, especialmente em feiras. Já o aluguel ainda enfrenta resistência no campo.

    “O produtor ainda tem um apego muito grande por ter a máquina. Mas é uma alternativa para momentos de caixa mais apertado.”

    Expectativa é de feira mais seletiva

    Mesmo com os lançamentos, a expectativa da Baldan para a Agrishow 2026 é de um ambiente mais desafiador, especialmente para máquinas de maior valor.

    Segundo o CEO Fernando Capra, o cenário macroeconômico segue pressionando o ritmo de investimentos no campo.

    “Esse deve ser um dos cenários mais difíceis dos últimos anos. As feiras que já aconteceram vieram com queda de 30% a 40% nas vendas, e a gente não vê o quadro macroeconômico mudando no curto prazo.”

    Segundo ele, a combinação de juros elevados, pressão sobre a rentabilidade das commodities e incertezas no cenário global tende a tornar o produtor mais seletivo.

    “É natural que as vendas de produtos de maior valor sejam mais selecionadas, em menor quantidade.”

    Apesar do cenário, a companhia mantém expectativa de desempenho relevante na feira.

    “A Agrishow é o nosso principal momento comercial. No ano passado, mesmo com um cenário difícil, conseguimos crescer em volume e receita. Para este ano, repetir esse resultado já será um grande feito. Vamos com uma gama muito ampla de alternativas, do consórcio ao aluguel. O objetivo é simples: entender como o produtor pode pagar e viabilizar essa compra”, completou.

    *O jornalista viajou para Matão (SP) a convite da Baldan

    Temas nesta notícia