Embrapa lança aplicativo para identificar e controlar pragas do cajueiro

    Ferramenta funciona offline e orienta produtor na tomada de decisão para reduzir perdas e melhorar o manejo fitossanitário

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    Embrapa lança aplicativo para identificar e controlar pragas do cajueiro
    22deAbrilde2026ás10:11

    O aplicativo Monitora Caju, desenvolvido pela Embrapa Agroindústria Tropical (CE), chega ao campo com foco direto em um dos principais gargalos da cajucultura: o controle de pragas e doenças que impactam produtividade e custos.

    A ferramenta permite identificar e orientar o manejo do oídio (Pseudoidium anacardii), principal doença da cultura, além da traça-da-castanha (Anacampsis phytomiella) e da broca-das-pontas (Anthistarcha binocularis), pragas com alto potencial de dano.

    Ao indicar o manejo fitossanitário conforme o nível de incidência, o aplicativo contribui para antecipar decisões, evitar infestações mais severas e reduzir perdas no pomar.

    Disponível para celulares (Android e iOS) e computadores, o Monitora Caju funciona mesmo sem conexão com a internet — um diferencial relevante em áreas com baixa cobertura.

    As informações são organizadas por categorias, como pragas, doenças, sintomas e monitoramento, guiando o usuário na vistoria do pomar e na identificação dos problemas. 

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    A ferramenta também reúne um acervo de publicações da Embrapa com resultados de pesquisas sobre a fitossanidade do cajueiro.

    Produtor rural utiliza aplicativo da Embrapa para identificar e controlar pragas no cajueiro no campo

    Decisão no momento certo

    Com base no Manejo Integrado de Pragas (MIP), o aplicativo ajuda o produtor a definir o momento mais adequado para agir. A partir das observações feitas em campo, o sistema permite comparar as condições das plantas com imagens de referência — tanto de exemplares sadios quanto com sintomas — facilitando o diagnóstico e a tomada de decisão.

    Segundo o pesquisador Marlon Valentim, coordenador do desenvolvimento da ferramenta, a proposta é levar informação confiável e acessível diretamente ao campo.

    “A cajucultura é uma atividade de base familiar e carece de inovações tecnológicas e serviços de assistência técnica no campo. Contar com respostas rápidas e eficientes faz toda diferença para o produtor rural e pode fortalecer a produção de caju no Nordeste, especialmente em áreas rurais mais distantes que ainda convivem com a falta de conectividade no campo”, ressalta o fitopatologista.

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    Diagnóstico direto no campo

    Com comandos autoexplicativos, o Monitora Caju facilita o reconhecimento de pragas e doenças durante a inspeção do pomar. A partir das informações inseridas, o sistema calcula o índice de incidência e orienta, conforme o resultado, as medidas de controle mais adequadas.

    “A maioria dos produtores de caju sabe reconhecer um ataque de oídio, da traça-da-castanha e da broca-das-pontas, por serem problemas comuns nos pomares. Mas, como estratégia para adoção da tecnologia em larga escala, serão oferecidas capacitações para produtores e técnicos extensionistas, visando aprimorar esses conhecimentos”, enfatiza Valentim.

    Pressão aumenta na frutificação

    Apesar de rústico, o cajueiro é altamente suscetível a pragas e doenças, o que exige monitoramento constante para evitar perdas produtivas e prejuízos econômicos. No Brasil, cerca de 1.200 espécies de insetos-praga podem atacar a cultura em diferentes fases de desenvolvimento.

    Durante a frutificação, a traça-da-castanha e a broca-das-pontas ganham protagonismo. A traça perfura as castanhas e se alimenta das amêndoas, enquanto a broca compromete ramos florais ao interromper o fluxo de seiva, prejudicando a formação dos frutos.

    De acordo com o pesquisador Antonio Lindemberg, em áreas sem monitoramento, a infestação pode atingir até 80% das castanhas. Já no caso da broca-das-pontas, o nível de ramificações afetadas varia entre 20% e 30%.

     

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