Entre tarifas dos EUA e oportunidades na Europa e Ásia, Abrafrutas projeta US$ 2 bilhões em exportações de frutas brasileiras

Em entrevista ao Agrofy News, Eduardo Brandão afirma que acordo com a Europa, avanço na Ásia e abertura de mercados podem levar exportações brasileiras de frutas a US$ 2 bilhões

Estratégia da Abrafrutas passa por diversificar destinos, reduzir a dependência de poucos compradores e ampliar a presença das frutas brasileiras no comércio internacional. (Foto-Fabio Manzini/Agrofy News

Estratégia da Abrafrutas passa por diversificar destinos, reduzir a dependência de poucos compradores e ampliar a presença das frutas brasileiras no comércio internacional. (Foto-Fabio Manzini/Agrofy News

19deJunhode2026ás10:08

As exportações brasileiras de frutas podem se aproximar de US$ 2 bilhões até 2028, segundo projeção da Abrafrutas. Enquanto o setor acompanha com preocupação a possibilidade de novas tarifas impostas pelos Estados Unidos, o avanço do acordo entre Mercosul e União Europeia e a abertura de mercados na Ásia reforçam a expectativa de crescimento das vendas externas.

O cenário ocorre após um ano histórico para a fruticultura nacional. As exportações brasileiras de frutas alcançaram US$ 1,45 bilhão em 2025, novo recorde pelo terceiro ano consecutivo. O resultado representou crescimento de 12% em valor e de 19,6% em volume na comparação com o ano anterior.

Parte desse avanço foi impulsionada pela parceria entre a Abrafrutas e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). Ao longo do ano, as frutas brasileiras foram promovidas em feiras internacionais, rodadas de negócios, ações de imagem e projetos estruturantes de exportação, ampliando a visibilidade do Brasil como fornecedor confiável e sustentável e aproximando produtores de compradores estratégicos.

Para o diretor-executivo da Abrafrutas, Eduardo Brandão, a palavra que melhor define o momento atual é "instabilidade". Segundo ele em entrevista ao Agrofy News durante a Hortitec, o produtor exportador depende de previsibilidade para planejar investimentos, produção e embarques, mas tem enfrentado mudanças frequentes nas regras comerciais, principalmente no mercado norte-americano.

“Primeiro, Estados Unidos com essas confusões geopolíticas que para pressionar outras coisas afeta diretamente o produtor falando de frutas especificamente”, explica.

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Veja os principais pontos da entrevista:

EUA preocupam setor com ameaça de novas tarifas

Atualmente, o setor monitora a possibilidade de uma nova taxação de 25% sobre algumas frutas brasileiras exportadas para os Estados Unidos. Após anúncios e recuos sucessivos por parte do governo norte-americano, produtos importantes da pauta exportadora seguem ameaçados, seundo Brandão.

No começo de junho, O governo dos Estados Unidos (EUA) propôs uma nova tarifa punitiva de 25% sobre importações brasileiras. A justificativa é que o Brasil adota práticas consideradas desleais em uma série de áreas, incluindo comércio digital, desmatamento ilegal, aplicação de leis anticorrupção e o sistema de pagamentos instantâneos Pix, citado pelos norte-americanos no âmbito da investigação.

“Nós conseguimos na negociação isentar dessa tarifa todas importantes na pauta de exportação dos Estados Unidos, como a manga, a banana, o papaia, mas ficou outras tão importantes quanto até mais importantes como a uva, o melão e a melancia, que serão taxadas de 25% caso a reunião do dia 6, o governo americano decida por adotar o indicativo”, afirma o executivo.

Hoje, os Estados Unidos respondem por cerca de 12% das exportações brasileiras de frutas. Por isso, qualquer alteração tarifária tem potencial de impactar diretamente produtores e exportadores.

“Nós estamos tentando com o governo, forçando com que o governo faça as tratativas diplomáticas para que a gente possa não ser afetado.”

Europa ganha competitividade com acordo Mercosul-União Europeia

Se os Estados Unidos representam incerteza, a Europa surge como a principal oportunidade para o setor. O bloco europeu concentra cerca de 70% das exportações brasileiras de frutas e passou a oferecer condições mais favoráveis após a assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia.