Bayer cria subsidiária Ruveon para concentrar negócio de glifosato nos Estados Unidos
Nova empresa assumirá toda a gestão do herbicida no mercado americano
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A Bayer anunciou a criação da Ruveon, subsidiária que passará a concentrar o negócio de glifosato da companhia nos Estados Unidos.
A empresa será responsável por áreas como precificação, estratégias comerciais, produção e logística, em mais uma etapa da reorganização da divisão Crop Science.
Com sede em St. Louis, no Missouri, a Ruveon continuará pertencendo ao Grupo Bayer e responderá integralmente pelas atividades relacionadas ao glifosato no mercado americano. As equipes dedicadas ao produto também passam a integrar a nova empresa.
Segundo a Bayer, a iniciativa integra a estratégia Five-Year Framework (Estrutura de Cinco Anos), criada pela divisão Crop Science para impulsionar crescimento, resiliência e rentabilidade, além de ampliar o foco em inovação e nas operações do negócio de proteção de cultivos.
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"Hoje damos um importante passo dentro da nossa Estratégia de Cinco Anos. O lançamento da Ruveon demonstra nosso compromisso contínuo com a excelência no mercado de glifosato. A consolidação dos recursos e das operações de glifosato nos Estados Unidos beneficia clientes, parceiros e demais partes interessadas, permitindo que as equipes da Ruveon e do Grupo Bayer dediquem o foco e os recursos adequados para atender e antecipar da melhor forma as necessidades de seus respectivos clientes", disse Brian Naber, chefe da Crop Science para América do Norte e Austrália/Nova Zelândia.
A companhia afirma que a nova empresa foi estruturada para atuar com maior agilidade em um mercado de commodities altamente competitivo, que exige estratégias específicas.
A expectativa é manter o fornecimento de produtos à base de glifosato para a agricultura dos Estados Unidos com os mesmos padrões de qualidade e serviço adotados pela Bayer.
Nova estrutura
A Ruveon será comandada por Alfonso Alba Ordóñez, executivo com mais de 30 anos de atuação no Grupo Bayer em posições de liderança na Europa, América do Sul, América do Norte e China.
A área comercial ficará sob o comando de Steve Knodle, que assume a vice-presidência executiva da Ruveon. O executivo liderará as equipes de vendas e marketing do negócio de glifosato nos segmentos agrícola, industrial, de gramados e jardinagem ornamental nos Estados Unidos.
Contexto jurídico
O anúncio da Ruveon ocorre poucos dias após uma decisão favorável à Bayer na Suprema Corte dos Estados Unidos e em meio ao longo contencioso envolvendo o Roundup, herbicida à base de glifosato incorporado ao portfólio da empresa com a aquisição da Monsanto, em 2018.
Na semana passada, por sete votos a dois, a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu que a Lei Federal de Inseticidas, Fungicidas e Rodenticidas (FIFRA) impede ações baseadas em leis estaduais que exijam advertências diferentes daquelas aprovadas pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) para o rótulo do produto.
"Esta decisão é positiva para os agricultores americanos que ajudam na alimentação do planeta. Ela fornece a clareza regulatória necessária para que empresas inovadoras, como a Bayer, desenvolvam ferramentas agrícolas que garantem o abastecimento de alimentos a preços acessíveis, disse em comunicado divulgado após o julgamento, o CEO da Bayer, Bill Anderson.
Segundo a Bayer, a decisão confirma que a legislação federal prevalece sobre normas estaduais em casos relacionados às advertências presentes nos rótulos do herbicida. A companhia avalia que o entendimento da Suprema Corte pode reduzir significativamente as ações baseadas em alegações de falha nas advertências de segurança do Roundup.
O herbicida está no centro de milhares de processos movidos nos Estados Unidos por autores que associam o produto ao desenvolvimento de linfoma não-Hodgkin. A Bayer sustenta que o glifosato é um dos herbicidas mais estudados do mundo e afirma que sua segurança foi reiteradamente avaliada por órgãos reguladores, incluindo a EPA. A companhia também informa que já destinou cerca de US$ 11 bilhões para acordos relacionados às ações judiciais envolvendo o produto.