Embrapa divulga orientações para enfrentar o El Niño no Sul do Brasil

Documento reúne medidas para reduzir riscos à produção rural diante da previsão de chuvas acima da média e eventos climáticos extremos

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Produtor rural observa lavoura durante período de instabilidade climática na Região Sul

Publicação reúne estratégias de manejo e planejamento para aumentar a resiliência das atividades agropecuárias diante das mudanças nas condições climáticas.. Foto: Paulo Lanzetta

14deJulhode2026ás15:55

Com até 99% de probabilidade de permanecer ativo até o início de 2027, o El Niño levou a Embrapa a divulgar uma série de recomendações para ajudar produtores rurais da Região Sul a reduzir perdas na agropecuária.

A estimativa é da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), que também calcula 63% de chance de o fenômeno atingir intensidade muito forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027.

Diante desse cenário, sete unidades da Embrapa — Clima Temperado (RS), Florestas (PR), Pecuária Sul (RS), Soja (PR), Suínos e Aves (SC), Trigo (RS) e Uva e Vinho (RS) — elaboraram um documento com recomendações para reduzir os impactos provocados pelo excesso de chuvas, aumento da incidência de doenças nas lavouras e outros efeitos esperados em diferentes sistemas de produção.

Para a Região Sul, a previsão indica aumento das chuvas, maior nebulosidade e temperaturas acima da média durante o inverno, condições que podem comprometer diferentes atividades agrícolas e pecuárias.

Os centros de pesquisa responsáveis pela publicação integram a Plataforma Colaborativa para Mitigação de Efeitos Climáticos Adversos na Agropecuária da Região Sul do Brasil.

Mais do que alertar para os riscos, a iniciativa busca fornecer informações técnicas para que produtores, técnicos e instituições planejem suas atividades com antecedência, reduzam prejuízos e tomem decisões baseadas em evidências científicas.

Segundo o pesquisador Gilberto Cunha, agrometeorologista da Embrapa Trigo, o conhecimento acumulado nas últimas décadas permite uma atuação mais preventiva diante do fenômeno.

O pesquisador destaca que a incerteza natural dos eventos climáticos não deve ser motivo para inação, mas para fortalecer a gestão de riscos com base em monitoramento e ciência.

"Hoje sabemos muito mais sobre o El Niño do que sabíamos na década de 1980. O desafio não é prever o fenômeno, mas transformar esse conhecimento em decisões no campo", complementa.