Dia Mundial do Leite: pecuária leiteira está em 99% das cidades do país

Evolução tecnológica, no entanto, concentra cada vez mais a produção entre os mais eficientes

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Dia Mundial do Leite: pecuária leiteira está em 99% das cidades do país
01deJunhode2022ás15:54

Hoje, 1º de junho, é o Dia Mundial do Leite, data instituída em 2001, pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). 

Criada para ressaltar a importância dos lácteos na alimentação, pois eles são ricos em cálcio, proteínas e vitaminas D, B2 e B12, entre outras, a agenda também permite refletir sobre a produção e seus desafios.

No Brasil, o guia “Agronegócio do Leite: produção, transformação e oportunidades”, publicado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), traz uma visão panorâmica do setor com foco nos últimos 10 anos.

Segundo o levantamento, o rebanho de vacas ordenhadas no Brasil caiu quase 30%, de 23,2 milhões de cabeças para 16,2 milhões, mas a captação de leite aumentou 10%, de 32,1 bilhões para 35,4 bilhões de litros, entre 2010 e 2020.

A redução no número de animais e o incremento no volume de leite nas propriedades é resultado de uma maior produtividade, que saltou 59% no mesmo período. Isso reforça a importância de novas tecnologias na produção, bem como programas de incentivo.

Ainda segundo a Fiesp, o Brasil tem 1,1 milhão de propriedades de pecuária de leite (dados do censo agropecuário de 2017); cerca de 3 mil indústrias de laticínios; e R$ 138,4 bilhões de valor bruto da produção (agrícola e industrial).

Vale lembrar também que a pecuária de leite é a única atividade presente em 99% dos municípios brasileiros, sendo que  79% das propriedades destinadas ao leite são de pequeno porte (ou seja, produzem até 50 litros por dia). 

Desafios ainda são muitos

Nos últimos 10 anos, o Brasil registrou avanço na produtividade média da pecuária de leite em todas as regiões, porém, e de acordo com estudo da Fiesp, ainda está longe dos grandes players do setor.

Isso porque os 2.192 mil litros/cabeça registrados em 2020 seguem muito aquém dos resultados obtidos por, como exemplo, Estados Unidos (10,8 mil litros por cabeça), União Europeia (7,2 mil litros por cabeça) e Nova Zelândia (4,5 mil litros por cabeça). 

A variação do nível de produtividade entre as regiões do País está entre as explicações e também entre os desafios do Brasil para atingir maior participação mundial.

E também a margem de lucro do produtor precisa melhor. De acordo com a Fiesp, em relação a fevereiro de 2020, antes da pandemia, até final de 2021, o preço médio real da ração havia subido 18%, enquanto o valor pago ao produtor de leite era 3% maior. 

CNA faz homenagem a data

Também para lembrar a data, a Comissão Nacional de Pecuária de Leite da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) publicou hoje, em seu site, um resumo das propostas nas quais está envolvida  em prol de assegurar ao setor mais competividade no mercado e soluções para custos de produção e a qualidade do produto.

Uma das iniciativas lembradas foi o projeto Mapa Leite, em parceria com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, para levar Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) propriedades rurais. 

Mais de 4.500 famílias, em cinco estados brasileiros, já foram atendidas pelo projeto – a maioria comemora atualmente ampliação na produção.

“A primeira fase do projeto durou 24 meses e os resultados foram tão vantajosos para o produtor que o atendimento foi estendido para mais 20 meses. Estamos encerrando esse segundo ciclo do projeto, mas os produtores vão continuar sendo assistidos via Sindicato Rural e Senar-MT, que está assumindo essa frente”, explica o coordenador da ATeG do Senar-MT, Armando Urenha.

Além da CNA, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) também atua no fomento da cadeia produtiva. 

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