Mapa apreende 52 toneladas de amendoim

Operação Arachis, realizada em São Paulo e no Rio Grande do Sul, identificou nível de aflatoxina superior ao permitido no Brasil

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Mapa apreende 52 toneladas de amendoim
27deJunhode2022ás12:28

Fiscais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) apreenderam na última sexta-feira (dia 24), 52.250 quilos de amendoim, em estabelecimentos processadores do grão nos estados de São Paulo e Rio Grande do Sul, principais produtores do País. 

Batizada de “Operação Arachis”, nome do gênero da planta de amendoim, a ação fiscalizou 458 toneladas do grão e identificou que 12% das amostras – pouco mais de 52 toneladas - estavam com nível de aflatoxina superior ao permitido pela legislação brasileira e, portanto, impróprio para o consumo.

A aflatoxina, que está presente naturalmente nos amendoins, pode comprometer a saúde do consumidor dependendo da quantidade e da frequência do consumo. A medida é expressa em partes por bilhão (ppb).

“O Mapa exige que qualquer amendoim comercializado ou processado no Brasil apresente no máximo 20 partes por bilhão de aflatoxinas totais, que é a quantidade segura para consumo pela população”, disse Eduardo Gusmão, auditor fiscal federal agropecuário de Marília. 

Em alguns lotes apreendidos na cidade de Marília, interior paulista, segundo o Mapa, as amostra apresentaram aumento de  2,5 vezes sob o máximo de aflatoxina permitido pela legislação brasileira.

Já a maior parte apreendida vem do Rio Grande do Sul. No Estado, dos 122.987 quilos fiscalizados, 39.850 quilos foram confiscados devido à contaminação por aflatoxina e irregularidades no beneficiamento do produto.

Em Ribeirão Preto, a fiscalização não encontrou irregularidades, mas amostras foram encaminhadas para outras análises, com resultados em 30 dias.

A equipe do Mapa fiscalizou 29 dos maiores estabelecimentos processadores de amendoim no Brasil, com a coordenação do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal (Dipov). Pela abrangência, a operação atingiu a maior parte do amendoim produzido e consumido no Brasil.  

“O objetivo da ação especial foi evitar que amendoins contaminados ou com irregularidades fossem processados, industrializados e transformados. A fiscalização evitou que as paçocas, pés de moleque, amendoim japonês e as pastas de amendoim fossem elaborados com amendoins contaminados por aflatoxina”, explicou o auditor fiscal federal agropecuário Cid Rozo, chefe do Serviço de Operações Especiais do Dipov.

Grão em alta nas "festas de São João"

O amendoim é matéria prima para doces como paçoca e pé-de-moleque, bastante tradicionais nas festas juninas e julinas, quando o consumo aumento. Seu uso também é conhecido em sorvetes, balas, pasta de amendoim, bolos, além do consumo in natura.

Depois de colhido, o grão passa por processos de secagem, descascamento, limpeza e retirada da “pele” até tornar-se matéria prima das industrias de doce e salgados. De acordo com o Mapa, o processo de qualidade é rigoroso.

“A ideia é assegurar o padrão higiênico sanitário exigido pelo Mapa e que atenda aos níveis seguros de aflatoxina para o consumo da população”, explicou Gusmão.

Desde a década de 1990, quando houve um problema sério com essa toxina no país, produtores e indústrias nacionais passaram a exercer um controle mais rigoroso. 

 

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