Produtores de leite opõem-se a rótulos “lácteos” em produtos vegetais

Enquanto a rotulagem foi regulamentada na Europa, Brasil ainda aguarda definição

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Vacas da raça Holstein, também chamada raça Holandesa, em produção no Brasil. (foto - Luiz H. Pitombo)

Vacas da raça Holstein, também chamada raça Holandesa, em produção no Brasil. (foto - Luiz H. Pitombo)

11deJulhode2022ás09:23

A Associação Brasileira dos Produtores de Leite (Abraleite), desde sua fundação em 2017, se posiciona contra a rotulagem e a divulgação utilizada em produtos de base vegetal com nomes relativos aos lácteos.

Na União Europeia, por exemplo, a questão foi regulamentada contemplando o produto de origem animal, enquanto que no Brasil ainda se aguarda definição.

Num movimento global direcionado por consumidores, estes produtos chamados em inglês de plant based, aumentam seu consumo não só entre flexitarianos, veganos e vegetarianos, embora continuem a ser considerados nicho de mercado.

Dados coletados pela Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) indicam que de 2018 a 2019 a fabricação mundial deste tipo de produto cresceu 45% na categoria dos que se autodenominam queijos e outros lácteos, o maior percentual dentre as demais. (Euromonitor, Mintel GNPD e Global Data Consumer Survey).

Indo nesta direção, Geraldo Borges, presidente da Abraleite e produtor, considera que no Brasil a oferta destes alimentos associados ao seu setor supere os restantes. Também avalia que a maior variedade desses produtos é proveniente de foodtechs e empresas de menor porte, não das grandes.

Consumidores e mercado

O dirigente observa que os produtos de base vegetal, com preços mais elevados, ainda não ocupam espaço grande no mercado, o que poderia ocorrer caso se tornassem mais competitivos e ai sim poderiam afetar significativamente os valores do leite ao pecuarista.

Pela legislação brasileira, leite é líquido segregado pela glândula mamaria de fêmeas, como as vacas, e não poderia estar na denominação de produtos vegetais, esclarece Borges.

 

Da forma como é empregado em bebidas à base de grãos ou em massa de caju, diz que cria confusão para o consumidor. “As informações precisam estar claras e não estão, são outros nutrientes e de absorção diferente pelo organismo”, enfatiza.

Ele também não concorda com o discurso utilizado de que a produção de leite prejudica o meio ambiente.”Não vou consumir leite de uma vaca que pertence a produtor que desmata, o que não é verdade, pois o animal precisa de sombra e boa água e para isso a natureza deve estar preservada”, diz.

Legislativo, Executivo e Judiciário

A Abraleite tem agido nas três esferas do Poder, mas reclama da falta de celeridade no Executivo e Legislativo.

Em 2018, por sugestão da entidade foi dada entrada no Congresso, através da Frente Parlamentar da Agropecuária, do Projeto de Lei 1056/2018, que trata da questão do uso da denominação de lácteos só para produtos de origem animal, mas que continua em tramitação.

Junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, do Ministério da Saúde, tem atuado no sentido da fiscalização e solução do problema. Segundo Borges, as cobranças sistemáticas não tem surtido efeito.

Uma conquista foi a retirada do mercado de um produto e sua publicidade de bebida à base de coco utilizando vaca humanizada, o que não é permitido. Para isso, fizeram notificações e denúncias junto ao Ministério da Justiça, Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) e outros órgãos.

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