Produtores de aves e suínos atuam "no vermelho" no Paraná

Segundo Faep, avicultores e suinocultores já não cobrem custos de produção

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Produtores de aves e suínos atuam "no vermelho" no Paraná
20deJulhode2022ás11:28

 Não está nada fácil a vida dos produtores de aves e suínos no Paraná. Levantamento de custos de produção divulgado ontem (dia 19), pelo Sistema Faep/Senar, aponta que, enquanto 92% dos avicultores estão atuando no vermelho, o prejuízo dos suinocultores, no custo total por cabeça, chegou a R$ 19,17 por leitão. 

No caso da avicultura, a conclusão é que, mesmo diante do crescimento das exportações, e do aumento na produção, dentro da porteira o sinal de alerta está ligado.

O levantamento mostra que a maioria dos produtores não consegue cobrir os custos totais de produção com o valor recebido pelas integradoras. Em algumas regiões, o prejuízo por ave entregue foi R$ 0,48, no primeiro trimestre de 2022.

Outro dado é que em 88,5% dos modais o saldo recebido no período cobriu os custos variáveis, o que significa que a remuneração que entrou para os produtores foi suficiente apenas para arcar com as despesas do lote.

Desta forma, alerta o estudo, no médio e longo prazos, a atividade não se sustentará. “O cenário a médio e longo prazos é preocupante, pois o produtor não está conseguindo ter reserva para quando precisar renovar suas instalações e equipamentos e nem a remuneração sobre o capital investido na atividade”, diz a técnica Mariani Benites, da Faesp/Senar.

Segundo ela, o estudo mostra que em praticamente todas as regiões e modais analisados, a remuneração dos produtores não aumentou na mesma proporção que os custos de produção. 

Propriedades modais

O levantamento considerou todos os gastos dos produtores como contas de luz, notas fiscais, holerite de funcionários e demais despesas com os animais. Participaram avicultores das cidades de Cambará, Campos Gerais, Cascavel, Chopinzinho, Cianorte, Paranavaí e Toledo.

Segundo o estudo, das 26 propriedades modais analisadas, apenas duas apresentaram saldo sobre o custo total positivo. Além disso, 11,5% não conseguiram sequer arcar com o custo variável.

Isso porque, apesar da receita total ter aumentado nos últimos meses, os ganhos recebidos não são suficientes para cobrir os custos totais. O levantamento apontou que em 77% dos casos o aumento com os custos de produção foi maior que a receita.

Já entre os itens que mais pesaram no bolso dos produtores, no primeiro semestre de 2022, estão a lenha (para aquecer os aviários), a energia elétrica e a mão de obra.

“Esse levantamento do Sistema FAEP/SENAR-PR dá suporte e serve de base para negociações e ajustes de valores pagos ao produtor. É um norte na hora de renegociar o ponto de equilíbrio”, avalia o presidente do Sindicato Rural de Cianorte e dirigente da Comissão Técnica (CT) de Avicultura da FAEP, Diener Santana.

Cenário não é diferente na suinocultura

No caso da suinocultura, a pesquisa abrangeu dados das principais regiões produtoras de suínos no Paraná: Campos Gerais, Sudoeste e Oeste. A alta no custo do milho e da soja está entre as maiores preocupações do setor, mas não a única. 

O impacto com o represamento de animais no mercado brasileiro, por cortes na exportação (especialmente da China e da Rússia), também resulta na desvalorização da carne suína no varejo e déficit na remuneração do suíno terminado, segundo levantamento.

Como exemplo deste cenário, na Unidade Creche (UC), “estar no vermelho” é uma realidade. O estudo mostra aumento de 81,73% no custo fixo, além de queda de 7,14% no preço pago ao produtor na comparação entre os levantamentos do fim de 2021.

Ali, a receita por animal foi de R$ 6,50, o custo variável foi de R$ 6,54. O custo o operacional alcançou R$ 10,43 e o custo total foi de R$ 12,94 para o produtor integrado. Segundo os especialistas, a conta torna a atividade insustentável já em curto prazo.

“A suinocultura, apesar de ser um  carros-chefes da atividade pecuária no Paraná, segue em crise” afirmou a presidente do Sistema Faep-Senar, Ágide Meneguette.

Para ela, a crise global do pós-pandemia, a guerra na Ucrânia e fatores internos da economia nacional seguem impulsionam as dificuldades dos suinocultores. “A verdade é que vivemos uma ‘tempestade perfeita’. Tudo que tinha que dar de pior, aconteceu.”

Já a possibilidade de negociação entre produtores rurais e a agroindústria no âmbito das Cadecs é item de contraponto e, segundo levantamento, tem permitido que os dois elos da cadeia produtiva dividam, em parte, os prejuízos causados pela “tempestade perfeita”.

Vale lembrar que o sistema Faesp/Senar-PR realiza semestralmente o levantamento do custo de produção de aves e suínos no Paraná. O trabalho utiliza metodologia da Embrapa para o cálculo. 

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