CNA: só 13% dos produtores têm rastreabilidade vegetal
Prática é obrigatória para mais de 80 tipos de frutas, legumes, verduras e tubérculos
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Do total de participantes na pesquisa, 41,9% disseram saber o que é rastreabilidade. (foto - Getty Image)
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) divulgou que apenas 13% dos produtores realizam rastreabilidade vegetal. O dado foi obtido por meio de uma pesquisa da própria entidade com 1.474 agricultores de 22 estados.
Do total de participantes na pesquisa, 41,9% disseram saber o que é rastreabilidade. O processo consiste na realização de registros, como o fluxo de informações sobre as práticas de manejo entre a fase produtiva e de distribuição.
A rastreabilidade é uma exigência de acordo com a Instrução Normativa Conjunta 02/2018, do Ministério da Agricultura e Anvisa, que define os procedimentos para a aplicação da rastreabilidade para mais de 80 tipos de frutas, legumes, verduras e tubérculos.
Dos 1.474 participantes, 13% indicaram que realizam rastreabilidade na produção. Destes, 74,1% apontaram que a adoção da rastreabilidade trouxe benefícios especialmente na gestão da propriedade.
Cerca de 68% sinalizaram que não tiveram dificuldade para cumprir os procedimentos e registros exigidos pela Instrução Normativa Conjunta.
Ampliar adesão
Os resultados do estudo foram apresentados em uma live, ontem (dia 23), com participação com a participação do presidente da Comissão Nacional de Hortaliças e Flores da CNA, Manoel de Oliveira; da presidente da Comissão Nacional de Fruticultura da CNA, Ligia Carvalho e da especialista em Rastreabilidade e Certificações da empresa PariPassu, Heidy Milan.
Para Oliveira, a pesquisa vai ajudar a nortear as ações para ampliar a adesão dos produtores. “A rastreabilidade ajuda na padronização de produtos, de processo e na profissionalização das cadeias produtivas. Faremos todo o esforço possível para ajudar a base produtiva”.
A importância da rastreabilidade para os produtores que desejam exportar foi destacada por Lígia. “É uma forma de atestar que o alimento está apto ao consumo, que é seguro. Além disso, contribui para transformar a gestão da propriedade, porque torna o processo mais claro para identificação de pontos de melhoria”.
Heidy lembrou que o hábito de coletar a informação sobre o lote é o primeiro passo para a rastreabilidade.
“É necessário mostrar os caminhos ao produtor e desmitificar a rastreabilidade. É fundamental começar de maneira simples, tornando a informação simples e acessível. Quando documentamos os processos, fica mais fácil observar quais melhorias precisam ser feitas”.
Em sua apresentação Letícia destacou os benefícios demonstrados pelos produtores que já aderiram a esse processo. “A rastreabilidade trouxe segurança jurídica, manutenção dos clientes já acessados, acesso a novos clientes e melhoria dos processos de gestão da propriedade”.
Como realizar a rastreabilidade vegetal?
O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural disponibiliza a cartilha “Como implementar a rastreabilidade vegetal”.
O Senar também oferece cursos na área de boas práticas na produção vegetal. Para saber mais, entre em contato com o Sindicato Rural de seu município ou com a Administração Regional do Senar de seu estado.
A CNA também disponibiliza o sistema Agritrace, que permite ao produtor realizar a rastreabilidade e a rotulagem de produtos vegetais.