Quem foi melhor para o agronegócio, Lula ou Bolsonaro?

    Comparamos a performance em produção de grãos, exportações, PIB agropecuário e do agronegócio entre os governos dos dois adversários

    Ambos períodos foram positivos para o agronegócio, mas Bolsonaro teve melhor resultado em dois dos três indicadores.

    Ambos períodos foram positivos para o agronegócio, mas Bolsonaro teve melhor resultado em dois dos três indicadores.

    21deOutubrode2022ás18:17

    O agronegócio tem cada vez mais importância econômica e, consequentemente, social e política no Brasil. Por isso, ambos os candidatos na disputa presidencial, Jair Messias Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reivindicam seus “legados” ao setor durante seus mandatos. 

    Mas, afinal, quem foi melhor para o agronegócio, Lula ou Bolsonaro?

    Se é que é possível, uma resposta definitiva a essa pergunta poderia ocupar longas teses e infindáveis discussões, dado ao fato de que o agronegócio é a cadeia mais longa da economia e, portanto, com interface mais ampla com a sociedade brasileira.

    Sem entrar no mérito de declarações ou ideologia, alguns indicadores resumem boa parte dos resultados obtidos pelos governos do petista e do atual presidente em seus períodos. Entre eles, a produção de grãos, o PIB da agropecuária (apenas dentro das fazendas), o PIB do agronegócio (toda a cadeia) e o comércio exterior (especialmente, as exportações).

    O Agrofy News Brasil usou dados oficiais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e, também, do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) para compará-los, sem a pretensão de esgotar o assunto.

    Afinal, caberia considerar muitos outros fatores como crédito agrícola com o Plano Safra, geração de empregos no campo, renda média dos trabalhadores rurais, abertura de mercados no exterior, sustentabilidade, impacto dos alimentos na inflação, infraestrutura para o setor e tantos outros indicadores econômicos, sociais e até mesmo pautas morais.  

    Dito isso, seguem as comparações entre os períodos de Lula e Bolsonaro, considerando-se que o petista esteve oito anos à frente do Poder Executivo, enquanto o atual mandatário tem apenas três anos completos.

    Produção de grãos cresceu a ritmo equivalente

    A comparação entre os períodos aponta crescimento anual médio de 3,08% durante o governo de Lula e 3,5% no mandato de Bolsonaro, segundo dados do IBGE, que foram escolhidos por computarem de janeiro a dezembro de cada ano.

    Os dados da Conab consideram anos-safra, normalmente de agosto a julho, o que dificultaria a comparação entre os períodos de mandato como presidente da República dos dois políticos.  

    Enfim, enquanto a produção brasileira de grãos cresceu de 120,03 para 144,68 milhões de toneladas entre 2003 e 2010, o volume saltou de 234,31 para 244,93 milhões de toneladas entre 2019 e 2021.

    Exportações cresceram mais no período Lula

    No caso das exportações, utilizamos os números do Mapa a partir do gráfico abaixo, que tem elaboração da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária).

    Em ambos períodos, houve aumento expressivo das receitas com exportações do agronegócio. No caso do mandato de Lula (entre 2003 e 2010), as exportações saíram de US$ 30,6 bilhões para US$ 76,39 bilhões. Estes números significam crescimento total de 149,6% e uma média anual de 18,7% de aumento.

    Já no período de Bolsonaro (considerados apenas 2019 a 2021), os embarques do setor subiram de US$ 96,85 bilhões para US$ 120,52 bilhões. Na mesma comparação, o atual presidente acumulou uma alta de 24,4% no total e 8,13% de média anual.

    PIB da agropecuária cresceu mais com Bolsonaro

    Na comparação sobre as riquezas geradas apenas dentro das fazendas, utilizamos dados oficiais do Mapa, elaborados pela Secretaria de Política Agrícola.

    Os anos de governo de Lula registraram um aumento de R$ 105,9 bilhões para R$ 159,9 bilhões, o que significa um total de 45,4% de aumento. Na média anual, o percentual fica em 5,6%.

    Já no período de Bolsonaro, o PIB da agropecuária saiu de R$ 310,7 bilhões para R$ 598,1 bilhões, um crescimento de 92,5%, com média anual de 30,8%.

    Nesse quesito, o atual presidente da República tem um desempenho bastante superior, ainda que seja importante considerar que a inflação dos alimentos tem uma influência importante nestes números.

    PIB do agronegócio também

    Segundo o critério do Cepea de PIB em valores correntes, o valor agregado em todos os elos do agronegócio (antes, dentro e depois da porteira) chegou a R$ 2,376 trilhões em 2021 contra R$ 1,518 trilhão em 2019, um salto de 56,5%. Isso perfaz a média de 18,8% de crescimento ao ano.

    Já desconsiderada a inflação anual média mais alta com Bolsonaro (6,33%) no período, a taxa de aumento fica 12,5% ao ano.

    Já no período entre 2003 e 2010, com os mesmos critérios do Cepea, o PIB do agronegócio evoluiu de R$ 523,6 bilhões para R$ 833,5 bilhões, um salto de 59,1%. Deste modo, o ritmo de crescimento no período foi de 7,38%. Quando descontada a inflação média (5,79%), o indicador ficou em 1,59%.

    Ano  PIB agronegócio (bilhões R$)
    2003               1.627
    2004               1.547
    2005               1.420
    2006               1.412
    2007               1.456
    2008               1.526
    2009               1.441
    2010               1.555
    2019               1.591
    2020               1.978
    2021               2.376

    Vantagem para Bolsonaro 

    Apesar de ambos períodos de governo apresentarem desempenhos positivos para o agronegócio, o governo do candidato do PL alcançou números significativamente melhores especialmente em relação às duas variantes analisadas de PIB, ainda que tal valorização deva-se em parte ao aumento do preço dos alimentos em todo o mundo.

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