“Todos ganham com Acordo Mercosul-União Europeia”, diz Marcos Troyjo
Cenários de insegurança alimentar e energética favorecem conclusão do acordo ainda em 2023

A negociação entre Mercosul e União Europeia teve início em 1999. (foto - divulgação)
Negociador sobre o tema e ex-presidente do Banco dos BRICS, Marcos Troyjo, acredita na assinatura do Acordo de Livre Comércio Mercosul e da União Europeia ainda neste ano.
Em entrevista ao Agrofy News, ele explicou que a conjuntura internacional deve favorecer a conclusão da negociação que se estende desde 1999.
"Fui um dos negociadores de um acordo que foi concluído em 2019. Eu entendo que o acordo estava fechado, mas os europeus entraram com itens adicionais”, explica ele para continuar. que é algo que não foi combinado em 2019
Para ele, contudo, a conjuntura internacional pode favorecer a conclusão das negociações esse ano, porque há muita insegurança alimentar, energética e uma grande dinâmica em direção a chamada economia verde.
“Em todos esses cenários, tanto Mercosul e União Europeia têm forças a somar. Eles podem se tornar mais interdependentes, diminuindo suas vulnerabilidades. Eu torço muito pelo fim das negociações e a entrada em vigor do acordo", afirma.
Na noite de ontem (dia 10), ele ministrou palestra Magna “Brasil, Superpotência do Agronegócio: Desafios & Oportunidades no Cenário Internacional”, em Cuiabá, em um dos eventos relacionados à abertura da 55ª ExpoAgro em Cuiabá.
Indagado pelo Agrofy News se a Europa precisa da agropecuária brasileira, ele foi taxativo. Ele acredita que a Europa precisa da agropecuária brasileira.
"A Europa é um grande produtor de alimentos, com alguns países de enorme tradição e competência na área da produção alimentar, caso da Alemanha, da França, da Irlanda, da Itália. Agora, nesse mundo que vai ganhar dois bilhões de pessoas nos próximos 25, 27 anos, isso não é suficiente. É necessário novas alianças e por isso é fundamental a participação do Brasil”, explicou.
Para o especialista, o acordo de Livre Comércio entre Mercosul e UE é uma combinação em que todos ganham. “Se juntar forças com o Mercosul, particularmente com o Brasil, parece uma aposta certeira da União Europeia. os países do Mercosul são um dos maiores produtores por exemplo de proteína animal”, disse.
Segundo ele, o Brasil deve desempenhar papel fundamental no mundo. “O Brasil parece ser muito bem credenciado em eixos fundamentais na economia do século 21, como a produção energética, produção de alimentos”, argumentou.
Troyjo lembrou que o Brasil está entre os quatro maiores produtores de alimentos do mundo em um contexto em que a população mundial sobe e a principal força de crescimento da economia global são os países emergentes com grande população.
“Então, mais uma vez o Brasil tem um papel fundamental a desempenhar na produção de alimentos. Quando você tem dificuldades como a guerra da Ucrânia, insegurança nas redes internacionais de suprimentos, há uma recolocação de ativos industriais e investimentos. Assim o Brasil desponta dentro desta nova fase da economia mundial”, conclui.
Histórico do Acordo entre Mercosul e União Europeia
A negociação entre Mercosul e União Europeia teve início em 1999. Partes da discussão foram encerradas entre 2019 e 2020. Com receio da política ambiental de Jair Bolsonaro (PL) por parte dos europeus, o acordo não foi finalizado. Desde 2020, os termos seguem em revisão para assinatura.
Recentemente, já no governo Lula, instrumentos foram adicionados pela União Europeia para conclusão do acordo.
Os dispositivos estabelecem punições em caso de descumprimentos de obrigações dos países signatários, em especial no agronegócio. O Planalto tem avaliado negativamente as condições.
O presidente Luiz Inácio Lula da aposta em um comum acordo com a União Europeia na parceria com o Mercosul até o final do ano. Segundo presidente brasileiro, porém, o protecionismo tem dificultado a aprovação do acordo.
