Acordo ambiental proposto pela UE é inconcebível, diz presidente da FPA
Bancada recebeu ministro das Relações Exteriores, embaixador Mauro Vieira
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Acordo ambiental proposto pela União Europeia é inconcebível. A frase é do presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado federal Pedro Lupion (PP-PR) em encontro com o ministro das Relações Exteriores, embaixador Mauro Vieira.
Vieira se reuniu com a bancada para debater os acordos diplomáticos que impactam de forma direta o setor produtivo brasileiro e sobre os trâmites com a União Europeia e o Mercosul.
Segundo Lupion, os acordos ambientais propostos pelos europeus, em uma side letter (instrumento adicional ao acordo), são fruto de uma propaganda enganosa sobre o setor produtivo brasileiro.
“A side letter apresentada é inconcebível e precisa ser contestada. Existe uma propaganda internacional contra o agro sem precedentes. Lá na Europa eles não chegam nem perto dos números satisfatórios que temos aqui sobre proteção e preservação. O Itamaraty também precisa agir nesse sentido”.
Lupion ressaltou que o Brasil possui o agro mais competitivo e organizado do mundo. De acordo com ele, isso só acontece porque o país segue leis rígidas, como o Código Florestal, que permitem que o setor atinja índices satisfatórios na produção de alimentos e sem a necessidade de desmatar o meio ambiente.
Por isso, na opinião do parlamentar, soa estranho seguir uma orientação da União Europeia a respeito do tema.
“Ninguém cumpre a lei como nós, especialmente, quando o assunto é meio ambiente. Mantemos a produção em 25% do nosso território, sempre amparados por leis jamais vistas em outro lugar do mundo. Mesmo assim, somos o segundo maior produtor de alimentos do mundo. Seguir um acordo de redução de impactos como a Europa deseja vai atrapalhar nossa produção por completo”, enfatizou Lupion.
Paciência
Para o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, o momento é de negociação em todas as frentes. Acerca do acordo com a União Europeia, especificamente, ele entende que não será uma negociação fácil, mas que o Brasil não aceitará os termos como estão.
“Se aceitássemos cegamente, os resultados iriam interferir, inclusive, em projetos que poderiam ser financiados. Queremos levar adiante a negociação e há um interesse deles em encontrar um denominador comum. Já incluímos questões que nos atendem e dia 17 de setembro enviaremos a resposta”, informou.
Crise do Leite
O encontro com Vieria serviu também para atualizar os parlamentares acerca da importação do leite da Argentina e Uruguai. Pedro Lupion afirmou que alguns avanços foram feitos, tais como a taxação de produtos e aumentos de alíquotas. Entretanto, para ele, a resolução da crise do leite continua distante.
Segundo ele, ainda falta fiscalização e rastreamento de como vem esse leite. “Tem muito leite da Argentina e Uruguai que é produto neozelandês constituído e isso a gente não pode aceitar. Tenho certeza que existe dumping e concorrência desleal e, nesse caso, existe possibilidade legal de bloquear essa importação”, disse.
Em relação a igualdade de condições do Mercosul, o ministro defende o bloco, mas afirma que é indispensável que haja uma relação dos governos para se corrigir possíveis desvantagens de produtos, como no caso do leite.
“O bloco ainda está em construção e, obviamente, necessita de adaptações e correções de curso. O que causa certa desvantagem precisa ser conversado. o caso do leite é emblemático e vamos trabalhar para que isso não aconteça mais”, concluiu.