Brasil tem 27,5 milhões de hectares de florestas em recuperação, indica Observatório

    Área corresponde a praticamente o total desmatado desde 2000

    Brasil tem 27,5 milhões de hectares de florestas em recuperação, indica Observatório
    17deOutubrode2024ás16:36

    O Brasil tem 27,5 milhões de hectares em processo de recuperação florestal de acordo com dados divulgados hoje (dia 17) pelo Observatório da Restauração e Reflorestamento. 

    Para se ter ideia, esta área representa 3,2% do território nacional e, caso não houvesse mais desmatamento ou queimadas, equivaleria às áreas de vegetação nativa perdidas desde 2000. 

    Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (Inpe), o total desmatado nos últimos 24 anos soma 27,7 milhões de hectares, cerca de 200 mil hectares a mais. 

    O mapeamento das áreas em recuperação é dividido em três categorias que são a restauração, o reflorestamento e as áreas secundárias. 

    A área de restauração no país dobrou em relação a 2021 e chega atualmente a 150 mil hectares. Tais extensões incluem apenas projetos que preveem a retomada de toda a biodiversidade original.

    Os principais biomas beneficiados com iniciativas de restauração são a Mata Atlântica, com 77% da área em processo de restauração em território nacional; o Cerrado, com 13% deste total; e a Amazônia, com 9,5% da área restaurada. 

    Na plataforma online é possível verificar que o Observatório também mapeou 8,76 milhões de hectares de reflorestamento e 18,58 milhões de hectares de vegetação secundária.

    As áreas de reflorestamento incluem iniciativas, inclusive comerciais, como florestas plantadas para papel e celulose, integração lavoura-pecuária floresta (ILPF) e outros projetos. 

    Já as áreas de vegetação secundária contemplam a recuperação sem interferência humana após ocorrências como incêndios ou desmatamento. Nesses casos, a natureza recompõe-se por si só, de forma mais lenta.

    Os números são importantes para, além de trazerem clareza, orientarem políticas públicas a fim de estabelecer e cumprir as NDCs (Contribuição Nacionalmente Determinada) do país na próxima COP30.

    Observatório

    Os dados foram apresentados no lançamento da versão 2.0 do Observatório da Restauração e Reflorestamento. 

    “A gente praticamente dobrou as áreas em restauração, mas ainda há muito a fazer: a NDC brasileira fala em restaurar 12 milhões de hectares. Há estimativas de que tenhamos até 60 milhões de hectares degradados que precisam ser restaurados e pastagens também devem ser recuperadas”, disse André Guimarães, diretor executivo do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia). 

    O Observatório da Restauração e Reflorestamento é uma iniciativa da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Florestas e Agricultura; Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia); The Nature Conservancy Brasil; World Resources Institute Brasil e WWF-Brasil.

    Para Fabiola Zerbini, diretora do departamento de Florestas do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima participou do evento e mencionou que o Planaveg (Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa) foi atualizado neste ano. 

    “Em abril de 2025, o Brasil vai lançar sua primeira linha-base de onde estamos na meta de restauração. A partir deste número, a gente quer chegar na COP30 trazendo os elementos e dados dos sistemas que operam com esses monitoramentos”, disse Zerbini.

    O presidente do Ibama, Rodrigo Agostinho, também esteve no evento e falou sobre a plataforma Recooperar, ferramenta do órgão para gestão de áreas degradadas. 

    “A ideia é que possa olhar do ponto de vista espacial e que essa plataforma esteja na mão dos estados e da sociedade civil, de maneira integrada, inclusive, a outras plataformas, como a MapBiomas”, comentou.

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