"Potencial do Brasil em hidrovias pode reduzir em até 40% o custo de logística", diz ministro

    Silvio Costa Filho destaca ainda ações do governo para descentralizar o escoamento da produção

    Costa Filho ressaltou que o Brasil conta com uma agenda de concessões para estimular o transporte hidroviário. (Foto - Divulgação/Ministério)

    Costa Filho ressaltou que o Brasil conta com uma agenda de concessões para estimular o transporte hidroviário. (Foto - Divulgação/Ministério)

    06deFevereirode2025ás14:40

    O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, destacou nesta quinta-feira (6), durante o programa "Bom Dia, Ministro", o potencial do Brasil para ampliar o uso de hidrovias, o que pode reduzir em até 40% os custos logísticos do país.

    “A cada 25 barcaças, que são embarcações de grande porte, são 500 caminhões a menos circulando em nossas estradas”, exemplificou. Atualmente, o Brasil possui cerca de 8 mil quilômetros de rios, lagos e mares navegáveis, com potencial para expandir até 42 mil quilômetros. Como comparação, mais de 40% da logística dos Estados Unidos é realizada por hidrovias.

    Costa Filho ressaltou que o Brasil conta com uma agenda de concessões para estimular o transporte hidroviário, especialmente na Região Norte.

    “Isso vai beneficiar muito o agronegócio. Quase 30% da corrente de exportação de grãos do Brasil passa pelo Arco Norte. Queremos priorizar hidrovias como a do Madeira, Paraguai-Paraná e Tocantins, o que contribuirá para reduzir custos, promover a sustentabilidade e a descarbonização”, afirmou.

    O ministro destacou a criação da Secretaria Nacional de Hidrovias pelo governo federal, que trabalha em parceria com a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) para avançar nas concessões.

    A expectativa é que o primeiro contrato, referente à hidrovia Paraguai-Paraná, seja assinado em 2026.

    Dragagens na Amazônia 

    Silvio Costa Filho também mencionou mudanças na gestão das dragagens nos rios da Amazônia, essenciais para garantir a navegabilidade, especialmente em períodos de seca.

    “Antes, as dragagens eram feitas de forma emergencial. Agora, realizamos licitações para contratos de cinco anos, garantindo continuidade e prevenindo prejuízos”, explicou.

    Investimentos em hidrovias

    O Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) prevê R$ 4,8 bilhões para ampliar a navegabilidade nas hidrovias brasileiras.

    hidrovia_brasil

    Entre as ações previstas estão o derrocamento do Pedral do Lourenço, com início ainda este ano, dragagens nos rios Tapajós e São Francisco, e a manutenção das hidrovias do Madeira, Parnaíba e Paraguai (tramo Sul).

    No Rio Grande do Norte, está prevista a proteção dos dolfins da Ponte Newton Navarro, visando maior segurança para embarcações e usuários.

    Descentralização do escoamento da safra

    O governo federal também trabalha para descentralizar o escoamento da produção, melhorando a competitividade do agronegócio.

    O Plano de Escoamento da Safra 2024/2025 prevê investimentos de R$ 7,15 bilhões em infraestrutura de portos e rodovias.

    “O Porto de Santos, que já representou quase 50% da corrente de importação e exportação  do Brasil, hoje responde por 31%. Isso reflete nosso esforço para descentralizar o escoamento, favorecendo portos em todo o país”, disse o ministro. A iniciativa visa reduzir custos operacionais e fortalecer a competitividade internacional.

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    O ministro destacou o aumento dos investimentos privados no setor portuário, que devem chegar a R$ 40 bilhões nos primeiros três anos do governo Lula. Os recursos públicos somaram mais de R$ 3 bilhões em 2023 e 2024, com previsão de mais de R$ 2 bilhões para 2025.

    “Esses investimentos têm impulsionado o agronegócio brasileiro. Nosso objetivo é ter portos estruturados para apoiar a corrente de exportação e importação, simplificando processos e atraindo investidores”, destacou Costa Filho.

    O setor portuário fechou 2024 com crescimento superior a 4% e movimentação recorde de 1,3 bilhão de toneladas. O aumento na movimentação de contêineres foi de 18%, gerando empregos e renda.

    Entre as prioridades do governo estão o leilão do Porto de Itaguaí e projetos como o Túnel de Santos (R$ 6 bilhões) e o Terminal de Contêineres Santos 10, que deve ampliar em 50% a capacidade de movimentação do maior porto da América Latina.

    A previsão é realizar 50 novos leilões até 2026.

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