Governo dedica R$ 7,15 bilhões apenas para escoar a safra 2024/2025
Fávaro minimizou gargalos durante lançamento do Plano de Escoamento da Safra 2024/2025 e falou em "síndrome de vira-lata"
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Em meio à alta nos preços dos alimentos e diante da projeção de uma safra recorde, o governo federal anunciou, nesta quarta-feira (5), o Plano de Escoamento da Safra 2024/2025.
O programa prevê investimentos de R$ 7,15 bilhões para aprimorar a infraestrutura de portos e rodovias.
O plano foi apresentado pelos ministros Renan Filho (Transportes), Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos) e Carlos Fávaro (Agricultura) e integra o Novo PAC.
A proposta busca garantir o transporte eficiente da produção agrícola nacional, que deve atingir 322,47 milhões de toneladas em 2025, um crescimento de 8,3% em relação à safra anterior.
“O conjunto de obras, concessões e melhorias estratégicas garantirá um impacto direto na logística do agronegócio, fortalecendo a competitividade do Brasil no mercado internacional”, destacou o Ministério dos Transportes.
Fávaro minimiza gargalos
O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, relembrou seu período como presidente da Aprosoja, em 2012, quando acompanhou o lançamento do Terminal de Grãos do Maranhão (Tegram).
“Por vezes, falamos que a nossa infraestrutura logística é precária, ruim e ineficiente. Me perdoem, mas isso é uma síndrome de cachorro vira-lata. A gente não dá a dimensão e o valor da força brasileira, de empresários, da produção agrícola e da construção de obras”, afirmou.
Fávaro também reforçou a importância dos investimentos em logística para garantir o escoamento eficiente da safra.
“Empresários que acreditam em concessões e no crescimento do país estão fazendo as coisas acontecerem. O resultado disso é o crescimento da economia e das oportunidades.Temos uma infraestrutura eficiente, puxada pelo crescimento da agropecuária e pela demanda dos compradores mundiais”, concluiu.
Investimentos em Infraestrutura
Os investimentos do ministério dos Transportes serão concentrados em dois eixos estratégicos: Arco Norte e Corredor Sul/Sudeste, regiões fundamentais para o escoamento da safra.
“O centro gravitacional da produção agrícola mudou. Saiu do Sul e se deslocou para o Centro-Oeste, especialmente para o Mato Grosso. Isso exigiu um redesenho na infraestrutura de transporte”, explicou Renan Filho.
No Arco Norte, os investimentos subirão de R$ 2 bilhões para R$ 2,6 bilhões, destinados à recuperação da malha rodoviária e à conclusão de obras estruturantes.
“Em 2023, apenas 52% das rodovias do Arco Norte estavam em boas condições. Com o investimento federal, esse índice saltou para 83%, enquanto a parcela em estado crítico caiu para 3%”, destacou o ministro.
Para 2025, o governo prevê a entrega de novas obras estratégicas, incluindo:
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Início das operações da Transnordestina (Bela Vista/PI – Iguatu/CE)
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Travessia Urbana de Jaru (BR-364/RO)
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Ponte entre Estreito e Aguiarnópolis (BR-226/TO/MA)
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Pavimentação do trecho Cocos - Divisa BA/MG (BR-135/BA)
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Ponte de Xambioá/TO - São Geraldo do Araguaia/PA (BR-153/TO/PA)
“A Transnordestina começará a movimentar carga neste ano. No governo anterior, a obra ficou parada por quatro anos. Em 2025, já transportará milho entre o Piauí e o Ceará”, afirmou Renan Filho.
Corredor Sul/Sudeste: mais R$ 1,9 bilhão em Investimentos
Para o Corredor Sul/Sudeste, a previsão de investimento é de R$ 1,9 bilhão, voltado para melhorias na infraestrutura viária. Entre as entregas previstas, destacam-se:
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Implantação de 9 viadutos/interseções na Rumo Malha Paulista e MRS
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Acesso ao Porto de Capuaba (BR-447/ES)
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Duplicação de 87 km entre Cuiabá e Sinop (BR-163/MT)
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Duplicação entre Navegantes e Gaspar (BR-470/SC)
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Duplicação de 46 km entre Soledade e Lajeado (BR-386/RS)

“O investimento nesses dois eixos garantirá avanços essenciais para a infraestrutura do Brasil. Vamos concluir obras, ampliar a fiscalização da pesagem e realizar nove leilões em corredores estratégicos para o escoamento da safra”, reforçou Renan Filho.
Concessões para Escoamento da Produção Agrícola
O Ministério dos Transportes pretende realizar 9 leilões em 2025, abrangendo 5.517 quilômetros de rodovias, com investimentos estimados em R$ 91,4 bilhões.
Além disso, está prevista a concessão de 1.708 quilômetros de ferrovias, com aportes de R$ 99,7 bilhões.
“O Brasil realizou poucos leilões ferroviários nas últimas décadas. Agora, temos o desafio de ampliar o modal ferroviário, essencial para fortalecer a logística e reduzir custos”, afirmou Renan Filho.
O plano inclui a concessão de corredores rodoviários estratégicos, que receberão novos investimentos para melhorar a logística do agronegócio. Os projetos incluem:
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Rota Agro Norte (690 km) – R$ 6,4 bilhões (CAPEX) e R$ 3,9 bilhões (OPEX)
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Rota Agro Central (888 km) – R$ 3,8 bilhões (CAPEX) e R$ 4,0 bilhões (OPEX)
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Rota Agro (490 km) – R$ 4,3 bilhões (CAPEX) e R$ 2,6 bilhões (OPEX)
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Rota da Celulose (870 km) – R$ 5,9 bilhões (CAPEX) e R$ 3,7 bilhões (OPEX)
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Otimização MSVIA (847 km) – R$ 9,6 bilhões (CAPEX) e R$ 7,7 bilhões (OPEX)
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Ponte São Borja (15 km) – R$ 0,2 bilhão (CAPEX) e R$ 0,4 bilhão (OPEX)
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Rota Integração do Sul (674 km) – R$ 4,4 bilhões (CAPEX) e R$ 4,7 bilhões (OPEX)
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Rodovias Integradas do Paraná (Lote 5) – 431 km, R$ 6,5 bilhões (CAPEX) e R$ 5,1 bilhões (OPEX)
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Rodovias Integradas do Paraná (Lote 4) – 627 km, R$ 10,9 bilhões (CAPEX) e R$ 7,3 bilhões (OPEX)

Portos: Investimentos no Norte e Sul
O governo também ampliará os investimentos nos portos das regiões Norte (investimento de R$ 850 milhões) e Sul (R$ 1,25 bilhão), com destaques para:
Região Norte
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Ampliação e modernização do Porto de Porto Velho (RO)
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Implantação do terminal de cargas em Santarém (PA)
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Expansão do terminal da Cargill em Santarém (PA)
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Implantação do terminal de cargas no Porto de Santana (AP)
Região Sul
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Ampliação da Moega Ferroviária no Porto de Paranaguá (PR)
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Adequações rodoviárias e ferroviárias no Porto de Paranaguá (PR)
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Execução de obras de dragagem
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Restauração da Av. Ayrton Senna da Silva e construção de 4 vias em Paranaguá (PR)

Durante o evento, o ministro Silvio Costa Filho ressaltou a retomada do crescimento econômico.
“Vivemos um dos melhores momentos da economia, com equilíbrio das contas públicas, retomada da confiança do mercado financeiro e a reforma tributária, que cria um ambiente mais favorável para investimentos”, afirmou. Ele também destacou o impacto positivo do agronegócio.
“Temos o menor índice de desemprego da história e isso se deve, sobretudo, à força do agro brasileiro”, concluiu.