Lula culpa exportação por preço dos ovos e quer venda de combustível sem intermediário
Estratégia do presidente é transferir responsabilidades
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Lula mencionou a gripe aviária nos Estados Unidos como um dos fatores que impulsionaram a demanda pelo produto brasileiro. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva segue com suas declarações polêmicas e tentando se afastar da culpa da alta dos preços.
Nesta semana, Lula voltou a comentar sobre o aumento dos preços dos alimentos, principalmente dos ovos, e dos combustíveis no Brasil.
Durante entrevistas e eventos, ele atribuiu a alta no valor dos ovos ao aumento das exportações e criticou a atuação de intermediários na comercialização de combustíveis, defendendo mudanças para reduzir custos ao consumidor.
Ovos: Lula promete diálogo com empresários
Nesta quinta-feira (15), Lula afirmou que a inflação no preço dos ovos está diretamente ligada ao volume de exportações do produto.
Segundo ele, a busca de mercados internacionais pelo ovo brasileiro tem encarecido o alimento no mercado interno, prejudicando a população.
"É um absurdo", disse o presidente em entrevista à Rádio Tupi FM, do Rio de Janeiro. "Eu sei que o ovo está caro. Quando me disseram que uma caixa com 30 ovos estava custando R$ 40, fiquei estarrecido."

Lula mencionou a gripe aviária nos Estados Unidos como um dos fatores que impulsionaram a demanda pelo produto brasileiro, resultando na valorização dos preços.
"O Brasil virou quase o supermercado do mundo. Queremos que os empresários exportem, mas sem que falte para o povo brasileiro", afirmou.
Além das exportações, o presidente destacou que fatores climáticos, como calor intenso e chuvas, influenciaram a oferta de ovos no país.
Ele garantiu que pretende dialogar com atacadistas para viabilizar a redução dos preços nas gôndolas dos supermercados.
Na semana passada, Lula disse que estava comendo ovo de ema.
Preço dos ovos atinge maior patamar em 22 meses
Um levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) apontou que o preço da caixa com 30 dúzias de ovos subiu 61% nos últimos meses, passando de R$ 134 para R$ 227.
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) explicou que a alta nos preços tem relação com a demanda sazonal. Durante a Quaresma, o consumo de ovos aumenta devido à substituição de carnes vermelhas por proteínas alternativas.
Além disso, os custos de produção dispararam: o preço do milho, principal insumo para a alimentação das aves, subiu 30%, enquanto os custos com embalagens dobraram.
O calor extremo também impactou a produtividade, reduzindo a oferta do produto no mercado interno.
Apesar dessas variações, a expectativa do setor é de que os preços voltem a se estabilizar após a Quaresma, quando a demanda tende a diminuir.
Lula defende venda direta de combustíveis para reduzir preços
O presidente também criticou a alta nos preços da gasolina e do diesel, atribuindo os aumentos à carga tributária e ao papel de intermediários no setor.
Durante um evento em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, na segunda-feira (17), Lula afirmou que o preço do litro da gasolina sai da Petrobras a cerca de R$ 3, mas chega ao consumidor final por aproximadamente R$ 6,50.
“A gente precisa vender para os grandes consumidores direto, se puder comprar direto, para que a gente possa baratear o preço”, declarou.

Lula reforçou que, em muitos casos, a Petrobras não tem responsabilidade sobre os reajustes e apontou os estados e os postos de combustíveis como fatores que influenciam nos valores finais.
“É importante informar a população disso, para o povo saber quem xingar na hora que o preço aumenta”, afirmou.
Entidades do setor reagem às declarações
As falas do presidente provocaram reações de entidades do setor de combustíveis. A Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e Lubrificantes (Fecombustíveis) divulgou uma nota afirmando que os impostos representam um dos principais componentes no custo da gasolina.
Em janeiro, os tributos correspondiam a cerca de R$ 2,05 por litro, o dobro da margem de lucro de postos e distribuidoras.
A Associação Brasileira dos Revendedores de Gás (Abragás) criticou as falas de Lula, alegando que a população deve ser informada sobre os custos em todas as etapas da comercialização, incluindo os impostos, mas sem que o setor seja responsabilizado indevidamente.
Enquanto isso, Lula reafirmou que a Petrobras é uma empresa eficiente e deve ser defendida "com mais coragem". Em tom descontraído, ironizou as críticas ao setor de combustíveis: “Eu bebo outro álcool, a gasolina não”, brincou.