Economia brasileira cresce 3,4% em 2024, mas PIB do agro tem maior queda desde 2016
Resultado reflete os impactos adversos do clima sobre a produção agrícola
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Entre as principais retrações, a produção de laranja caiu 21,1%, enquanto o milho recuou 12,5% e a soja, 4,6% (Foto: Gilson Abreu/AEN)
O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 3,4% em 2024 na comparação com 2023, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (7) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Enquanto a Indústria (3,3%) e os Serviços (3,7%) avançaram, a Agropecuária recuou 3,2%, registrando a maior queda desde 2016, quando o setor teve retração de 5,2%.
O resultado reflete os impactos adversos do clima sobre a produção agrícola, especialmente na soja (-4,6%) e no milho (-12,5%), que tiveram reduções expressivas ao longo do ano.
Após impulsionar o crescimento da economia em 2023, quando avançou 16,3%, a agropecuária teve desempenho negativo em 2024, pressionada pela queda na produção agrícola.
De acordo com o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) do IBGE, a queda na agricultura superou o impacto positivo da pecuária, da produção florestal e da pesca, resultando no saldo negativo do setor.
Entre as principais retrações, a produção de laranja caiu 21,1%, enquanto o milho recuou 12,5% e a soja, 4,6%.
Em contrapartida, o algodão registrou crescimento de 14,6% e o arroz avançou 3%.

PIB atinge R$ 11,7 trilhões em 2024
Em valores correntes, o PIB brasileiro totalizou R$ 11,7 trilhões em 2024. O PIB per capita alcançou R$ 55.247,45, com um avanço real de 3,0% na comparação com o ano anterior.
A taxa de investimento chegou a 17,0% do PIB, acima dos 16,4% registrados em 2023. Já a taxa de poupança caiu de 15,0% para 14,5% no mesmo período.
Variação trimestral e comparações com anos anteriores
Na comparação com o terceiro trimestre de 2024, o PIB cresceu 0,2%, com avanços na Indústria (0,3%) e nos Serviços (0,1%), enquanto a Agropecuária teve queda de 2,3%.
Já em relação ao quarto trimestre de 2023, a economia brasileira avançou 3,6%, mantendo 16 trimestres consecutivos de crescimento.
No período, a Agropecuária recuou 1,5%, enquanto a Indústria e os Serviços cresceram 2,5% e 3,4%, respectivamente.
O crescimento do PIB nos últimos anos foi:
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2020 (pandemia): -3,3%
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2021: 4,8%
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2022: 3%
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2023: 3,2%
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2024: 3,4%
Destaques da Indústria e dos Serviços
O setor industrial cresceu 3,3%, impulsionado pela Construção (4,3%), que teve alta na ocupação, aumento na produção de insumos e expansão do crédito. Outros segmentos em destaque foram:
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Indústrias de Transformação (+3,8%), puxadas pela fabricação de automóveis, equipamentos de transporte, máquinas e produtos alimentícios.
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Eletricidade, gás, água, esgoto e gestão de resíduos (+3,6%), beneficiadas pelo aumento das temperaturas médias no ano.
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Indústrias Extrativas (+0,5%).
Os Serviços, que representam a maior fatia da economia, cresceram 3,7%, com avanços em todas as atividades:
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Informação e comunicação (+6,2%)
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Outras atividades de serviços (+5,3%)
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Comércio (+3,8%)
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Atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (+3,7%)
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Atividades imobiliárias (+3,3%)
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Transporte, armazenagem e correio (+1,9%)
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Administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social (+1,8%)
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Consumo e investimentos impulsionam crescimento
Pela ótica da demanda, o crescimento do PIB foi sustentado pelo aumento dos investimentos e do consumo das famílias.
A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que mede os investimentos produtivos, subiu 7,3%, impulsionada pela produção e importação de bens de capital e pela expansão da construção civil e do setor de software.
O consumo das famílias cresceu 4,8%, refletindo a melhoria no mercado de trabalho, a ampliação do crédito e os programas de transferência de renda do governo. Já o consumo do governo avançou 1,9%.
No setor externo, as exportações de bens e serviços cresceram 2,9%, enquanto as importações subiram 14,7%, com destaque para produtos químicos, máquinas, veículos e equipamentos.
Inflação e juros freiam crescimento no quarto trimestre
Apesar do crescimento anual de 3,4%, o PIB mostrou estabilidade no quarto trimestre, com variação de 0,2%. Segundo a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, a inflação e o aumento dos juros contribuíram para essa desaceleração.
“No quarto trimestre de 2024, o PIB ficou praticamente estável, com queda no consumo das famílias e alta nos investimentos. Isso se deve, principalmente, à aceleração da inflação, puxada pelos alimentos", explicou.
A taxa básica de juros (Selic) média de 2024 foi de 10,9% ao ano, abaixo dos 13% registrados em 2023, enquanto a taxa de desemprego caiu para 6,6%, o menor patamar já registrado pelo IBGE.