Vingança? MS registra aumento de ataque de abelhas
Média no estado já ultrapassa um caso por dia, com Campo Grande liderando as notificações
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Com mais de 1.200 casos registrados entre 2023 e 2024, Mato Grosso do Sul enfrenta um aumento expressivo nos ataques de abelhas.
A média já ultrapassa um caso por dia, com Campo Grande liderando as notificações, seguida por Três Lagoas e Corumbá.
Diante desse cenário, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) divulgou, nesta quinta-feira (13), uma nota técnica alertando sobre os riscos e reforçando a importância da prevenção e do atendimento imediato às vítimas.
Segundo o Centro de Informação e Assistência Toxicológica de Mato Grosso do Sul (Ciatox-MS), a maioria dos ataques ocorre devido à presença de enxames em áreas urbanas e rurais, frequentemente perturbados de forma involuntária.
O documento destaca que uma única picada pode causar reações alérgicas severas, enquanto múltiplas ferroadas aumentam consideravelmente o risco de complicações graves.
O coordenador de Vigilância em Saúde Ambiental e Toxicológica da SES, Karyston Adriel Machado da Costa, ressalta que a alta incidência de casos exige maior conscientização.
“As abelhas desempenham um papel fundamental no meio ambiente, mas podem representar um grande risco quando se sentem ameaçadas. O objetivo dessa nota técnica é ampliar o conhecimento sobre medidas preventivas e garantir que as pessoas saibam como agir diante de um ataque”, explica.
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Recomendações para Prevenção e Atendimento
O Ciatox-MS listou algumas orientações essenciais para reduzir os riscos de ataques e minimizar os danos em caso de acidente:
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Evitar perturbar enxames: Não tente remover ou espantar colmeias por conta própria. Caso um enxame seja identificado em áreas públicas ou propriedades, o Corpo de Bombeiros deve ser acionado.
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Manter a calma durante um ataque: Movimentos bruscos podem atrair mais abelhas. Se possível, proteja o rosto e o pescoço e afaste-se rapidamente.
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Cuidado com roupas e perfumes: Cores vibrantes, fragrâncias intensas e ruídos altos podem atrair abelhas e aumentar o risco de ataques.
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Horário de maior atividade: Entre 10h e 15h, as abelhas estão mais ativas e mais propensas a reações defensivas.
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Atendimento médico imediato: Pessoas alérgicas devem buscar assistência rapidamente após serem picadas. Casos de múltiplas ferroadas exigem atendimento emergencial para evitar complicações.
Em caso de emergência, a SES orienta a população a acionar o Corpo de Bombeiros pelo 193 ou entrar em contato com o Ciatox-MS pelos telefones 0800-722-6001 ou (67) 3386-8655.
Evolução das Espécies no Brasil
As abelhas são polinizadores essenciais para a biodiversidade e a agricultura. No Brasil, há mais de 300 espécies de abelhas nativas, como as dos gêneros Nannotrigona (iraí), Melipona (uruçu) e Tetragonisca (jataí).
A introdução de abelhas europeias (Apis mellifera mellifera) no país ocorreu em 1839, trazidas de Portugal. Mais tarde, entre 1870 e 1880, espécies francesas e italianas foram levadas para a Bahia
Já em 1956, o cientista Warwick Estevan Kerr importou 49 rainhas de abelhas africanas (Apis mellifera scutellata) para aumentar a produtividade dos apiários no Brasil.
No ano seguinte, 26 enxames escaparam acidentalmente, resultando no cruzamento com abelhas europeias e na criação de uma nova linhagem híbrida, conhecida como abelhas africanizadas.
Essa nova espécie se espalhou rapidamente pelo Brasil e pela América do Sul, formando enxames maiores e mais defensivos. Por conta de seu comportamento, foram erroneamente chamadas de “abelhas assassinas”, termo que caiu em desuso devido à sua importância ecológica.
Em Mato Grosso do Sul, o número de ataques tem aumentado consideravelmente. Entre 2019 e 2024, foram registrados 2.663 casos de acidentes com abelhas.
Apenas no período entre 2023 e 2024, foram 1.210 ocorrências, uma média de 1,6 caso por dia.
Com a intensificação desses episódios, autoridades reforçam a importância da prevenção, do manejo adequado dos enxames e do atendimento rápido para evitar fatalidades.