Lucro da JBS salta a R$ 9,6 bilhões em 2024 com alta em frangos e suínos
Empresa reverte prejuízo de R$ 1,06 bilhão e registra forte desempenho em todas as unidades de negócios
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A JBS encerrou 2024 com um lucro líquido de R$ 9,61 bilhões, revertendo o prejuízo de R$ 1,06 bilhão registrado em 2023.
O resultado foi impulsionado pelo forte desempenho das unidades de frangos e suínos, além da recuperação nas operações de carne bovina no Brasil e na Austrália.
Segundo balanço financeiro divulgado nesta quarta-feira (25), todas as unidades de negócios apresentaram avanço em relação ao ano anterior. No quarto trimestre, o lucro líquido foi de R$ 2,4 bilhões, ante R$ 82,6 milhões no mesmo período de 2023 — alta de 3,5% na comparação trimestral.
A empresa também reduziu a dívida líquida em US$ 1,7 bilhão, fechando o ano em US$ 13 bilhões (cerca de R$ 84 bilhões). A geração de caixa livre atingiu R$ 13 bilhões em 2024 e R$ 5,3 bilhões no quarto trimestre — crescimentos de 609% e 22%, respectivamente, frente aos mesmos períodos de 2023.
O Ebitda ajustado consolidado no ano somou R$ 39 bilhões, avanço de 128%, com margem de 9,4% (alta de 4,7 pontos percentuais). No último trimestre, o Ebitda ajustado foi de R$ 10 bilhões, 111% acima do registrado um ano antes.
“Em 2024, observamos um progresso consistente em todas as nossas unidades de negócio. Esse desempenho comprova a eficácia da nossa estratégia como plataforma global diversificada em proteínas e geografias, impulsionada por marcas fortes e um portfólio de produtos de maior valor agregado. Além disso, mantemos o foco na excelência operacional, sustentada pela dedicação de nossos colaboradores”, afirmou o CEO Global da JBS, Gilberto Tomazoni.
Frangos, Suínos e Bovina
As unidades Seara e Pilgrim’s foram destaque, com crescimento da demanda por proteínas nos mercados interno e externo, além de melhorias operacionais e expansão do portfólio de produtos de maior valor agregado.
A JBS Pork também ampliou o volume comercializado.

Na carne bovina, JBS Brasil e JBS Austrália aproveitaram o ciclo pecuário favorável e a alta da demanda internacional por carne in natura. Já a JBS Beef North America obteve margem positiva com foco na eficiência fabril e melhor rendimento por carcaça.
A alavancagem em dólar caiu de 4,42x para 1,89x (relação dívida líquida/Ebitda). A empresa fechou o ano com R$ 35 bilhões em caixa e US$ 3,4 bilhões (R$ 20 bilhões) disponíveis em linhas de crédito rotativas.
Emissões, dividendos e recompra
A JBS e suas subsidiárias emitiram R$ 2,3 bilhões em Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) em 2024 e criaram um programa de Notas Comerciais para emissão de até US$ 1 bilhão, diversificando fontes de financiamento.
A companhia pagou R$ 6,6 bilhões em dividendos aos acionistas e reabriu seu programa de recompra de ações em setembro, visando adquirir cerca de 10% dos papéis em circulação.
A Seara se destacou ao negociar um CRA com prazo de 30 anos, considerada a dívida com o vencimento mais longo já registrada no mercado de capitais brasileiro. Em janeiro, os bonds da empresa alcançaram o menor spread corporativo da história no país.
Destaques por unidade de negócio
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Seara: Ebitda ajustado de R$ 8,4 bilhões em 2024, alta de 366%, com margem de 17,7%. Receita líquida cresceu 15%, chegando a R$ 47 bilhões.
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Pilgrim’s: Ebitda ajustado de US$ 2,2 bilhões (R$ 14 bilhões), alta de 114%, com margem de 12,4%. Receita líquida atingiu US$ 17 bilhões (R$ 96 bilhões).
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JBS USA Pork: Ebitda ajustado de US$ 830 milhões (R$ 5,8 bilhões), crescimento de 76%, e receita líquida de US$ 8,1 bilhões (R$ 43,8 bilhões).
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JBS Austrália: Ebitda ajustado de US$ 582 milhões (R$ 3,6 bilhões), alta de 37,4%, e receita de US$ 6,6 bilhões (R$ 36 bilhões).
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JBS Brasil: Ebitda ajustado de R$ 5,3 bilhões, aumento de 126%, com margem de 7,7%. Receita líquida de R$ 68 bilhões (+23%).
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JBS Beef North America: Ebitda ajustado de US$ 146 milhões, alta de 1,1%, com margem de 0,6%. Receita líquida de US$ 24 bilhões (R$ 131 bilhões).

Dupla Listagem
A JBS segue avançando no processo de dupla listagem de suas ações no Brasil e nos Estados Unidos. Em comunicado, Tomazoni afirmou que a operação “fortalecerá a governança e atrairá uma base mais ampla de investidores”.
"A proposta fortalecerá ainda mais a nossa governança, além de ter o potencial de atrair uma base mais ampla de investidores com alta capacidade financeira. Acreditamos que essa é uma forma de gerar ainda mais valor para todos os nossos acionistas, para a sociedade e para o nosso time", disse.
A empresa protocolou, na última quarta-feira (25) pedidos de registro de emissor estrangeiro e de programa de BDRs Nível II junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e à B3.
Paralelamente, também aguarda aprovação da SEC (Securities and Exchange Commission) para negociar ações nos EUA. Um acordo com o BNDESPar também foi firmado para viabilizar a operação.
Fim do Guidance
A JBS informou ainda que encerrará a divulgação de projeções (guidance) para receita líquida e Ebitda ajustado. A decisão se dá com a conclusão do período coberto pelas estimativas divulgadas anteriormente.
As informações comparativas continuarão sendo apresentadas conforme exigido pela regulamentação.