Plano Safra reduzirá fatia no crédito ao agro para apenas 20%, diz Aprosoja
Além disso, o cenário econômico é apontado como preocupante
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A Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil) soou o alerta: o Plano Safra 2025/2026 deverá representar apenas 20% do crédito necessário para o setor agropecuário, reduzindo ainda mais a participação do crédito oficial no financiamento da produção no país.
Em nota divulgada nesta segunda-feira (31), a entidade criticou a estagnação dos recursos destinados à equalização das taxas de juros e apontou riscos de retração na atividade econômica rural.
Segundo a Aprosoja, o orçamento aprovado para o próximo Plano Agrícola e Pecuário (PAP) manteve praticamente os mesmos valores do ciclo anterior.
O montante previsto para equalização de juros é de R$ 1,5 bilhão para custeio e R$ 4 bilhões para investimentos, totalizando R$ 5,5 bilhões destinados à agropecuária empresarial — volume considerado insuficiente diante da alta nos custos de produção e da expansão da área plantada.
Além disso, o cenário econômico é apontado como preocupante. A taxa básica de juros pode alcançar 15,25% até o final do ano, tornando o crédito mais caro em uma década.
“O custo do dinheiro será o mais elevado dos últimos dez anos”, afirma a entidade, que destaca ainda a pressão inflacionária, a valorização do dólar e o risco de recessão no segundo semestre de 2025.
Queda no alcance do Plano Safra
Historicamente, o crédito oficial sempre financiou cerca de 30% da safra. A Aprosoja estima que essa fatia deve cair para 20% no próximo ciclo, forçando os produtores a recorrerem a fontes mais onerosas, como as Cédulas de Produto Rural (CPRs) e financiamentos com taxas de mercado que já ultrapassam 20% ao ano.
O valor reservado ao Seguro Rural também preocupa: apenas R$ 1 bilhão está previsto, contra R$ 964 milhões no ciclo anterior.
Segundo a entidade, isso pode reduzir a cobertura das lavouras seguradas de 10% para apenas 6% da área total no próximo ciclo.
“Juros altos e menos recursos para o seguro aumentam o risco da operação para as instituições financeiras, que tendem a exigir garantias maiores e dificultar o acesso ao crédito”, alerta a nota.
A Aprosoja também chamou atenção para o volume de recursos destinados à agricultura familiar. Serão R$ 8,8 bilhões para equalização de juros do Pronaf e assentamentos da reforma agrária, valor significativamente superior aos R$ 1,5 bilhão previstos para a agropecuária empresarial.
A entidade reconhece a importância do apoio à agricultura familiar, mas critica o desequilíbrio na alocação dos recursos públicos.
Propostas para reverter o cenário
Com a retração no crédito rural, a Aprosoja projeta impactos diretos na produção de alimentos, o que pode pressionar ainda mais os preços ao consumidor.
“A redução da oferta por falta de financiamento pode agravar a inflação. O setor agropecuário é parte da solução, não do problema”, argumenta a associação.
Propostas para reverter o cenário
A entidade defende medidas estruturantes na política macroeconômica, como responsabilidade fiscal e avanço de reformas como a administrativa.
Em caráter emergencial, a Aprosoja propõe a aprovação de um Projeto de Lei do Congresso Nacional (PLN) que permita suplementação orçamentária de pelo menos R$ 10 bilhões ao Plano Safra.
A proposta eleva os recursos para custeio de R$ 1,5 bilhão para R$ 5 bilhões, os valores para o seguro rural de R$ 1 bilhão para R$ 4 bilhões e os recursos para investimentos de R$ 4 bilhões para R$ 6,5 bilhões.
A Aprosoja lembra ainda que o setor agropecuário movimenta R$ 1,4 trilhão em Valor Bruto da Produção dentro da porteira e representa mais de R$ 2,5 trilhões no PIB do agronegócio como um todo.
“Não é razoável que o governo federal mantenha um Plano Safra enfraquecido diante da relevância econômica e social do setor”, conclui a nota.