Após o greening, citricultores de São Paulo e Minas enfrentam nova ameaça
Nova doença tem se espalhado pelo cinturão citrícola nos últimos meses
|
Depois do avanço do greening — também conhecido como huanglongbing (HLB), considerada a doença mais severa da citricultura mundial — produtores de São Paulo e do Triângulo Mineiro agora lidam com uma nova preocupação: a podridão de ramo.
Também chamada de podridão peduncular, gomose de ramo ou Bot gummosis, a doença tem se espalhado pelo cinturão citrícola nos últimos meses, associada principalmente ao aumento de estresse nas plantas, segundo o Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus).
As causas são múltiplas, como as altas temperaturas, períodos prolongados de seca e a presença de outras doenças, a exemplo do próprio greening.
A podridão é provocada por fungos da família Botryosphaeriaceae, popularmente conhecidos como “fungos Bot”, entre eles os gêneros Lasiodiplodia e Dothiorella.
Esses micro-organismos podem viver de forma latente nos tecidos das plantas, sem causar sintomas, mas se tornam patogênicos quando a árvore entra em situação de estresse.
Além dos citros, os fungos Bot afetam videiras, amendoeiras e outras culturas em diversas partes do mundo. Nos citros, causam podridões em ramos, pedúnculos e frutos, rachaduras na casca e, em casos mais severos, o secamento parcial ou total da copa.
Um dos sintomas mais característicos é a exsudação de goma — uma substância pegajosa e adocicada, liberada como resposta de defesa da planta ao ataque dos fungos.
“O fungo pode ficar, grosso modo, em dois estágios: endofítico, dentro dos tecidos sem prejudicar a planta, ou patogênico, quando começa a degradar as células para absorver nutrientes e se reproduzir”, explica Thiago Carraro, pós-doutorando do Fundecitrus.
Clima extremo favorece a doença