Mato Grosso, sozinho, produzirá mais de 100 milhões de toneladas de grãos
Volume supera a produção agrícola da Argentina em suas principais culturas
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Produtividade da soja desta temporada é 22,6% maior do que no ano agrícola anterior. (Foto por: Mayke Toscano/Secom-MT)
Mato Grosso deve consolidar sua posição como potência do agronegócio nacional ao ultrapassar, sozinho, a marca de 100 milhões de toneladas de grãos na safra 2024/2025 — um volume que supera a produção agrícola da Argentina em suas principais culturas.
Segundo o 7º Levantamento da Safra de Grãos 2024/25, divulgado na quinta-feira (10) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o estado deve colher 101,5 milhões de toneladas de grãos nesta temporada, superando as 100 milhões de toneladas registradas na safra anterior, registrando um novo recorde.
Com crescimento de 9% na produção estadual, Mato Grosso será o principal responsável pela safra recorde nacional, estimada em 330,3 milhões de toneladas. Um terço de toda a produção de grãos do país virá das lavouras mato-grossenses.
Soja puxa recorde de produtividade no estado
Principal cultura do estado, a soja já foi colhida em 99,5% da área semeada.
A produtividade média alcançou 3.897 kg por hectare, a maior já registrada em Mato Grosso — 22,6% acima da registrada na temporada passada (3.179 kg/ha).
Com esse rendimento, a produção da oleaginosa deve chegar a 49,6 milhões de toneladas, alta de 26,1% em relação ao ciclo anterior.

A área plantada de soja teve um crescimento discreto, passando de 12,3 milhões para 12,7 milhões de hectares — avanço de 2,9%.
O secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, César Miranda, destaca o papel da tecnologia no campo.
“A produção de grãos saltou de 93,1 milhões para 101,5 milhões de toneladas, a produtividade cresceu 6,7% e a área plantada teve acréscimo de 470 mil hectares em um universo de 22,1 milhões de área agricultável. Temos 10 milhões de hectares de áreas de pastagens degradadas que podem se converter para a agricultura”, afirmou.
Outras culturas também se destacam
Dados do Centro de Dados Econômicos (Data Hub) da Sedec mostram que outras lavouras também apresentam bom desempenho.
A produção de algodão (caroço + pluma) deve atingir 6,5 milhões de toneladas, alta de 1,7% em relação à safra anterior. Com isso, Mato Grosso concentra 69,3% da produção nacional da fibra.
Na cultura do arroz sequeiro, a expectativa é de 408,4 mil toneladas, avanço de 21%, o que mantém o estado na liderança dessa modalidade, com 40,7% do total nacional — embora ocupe a quarta posição geral na produção total de arroz.
A produção de feijão deve alcançar 329,9 mil toneladas, colocando o estado na terceira colocação no ranking nacional, à frente da Bahia.
Mesmo com uma queda estimada de 10,9%, Mato Grosso seguirá liderando a produção de gergelim, com 219,3 mil toneladas e 65,9% de participação nacional.
A única retração mais expressiva ocorre no milho, cuja produção está estimada em 46,8 milhões de toneladas, recuo de 4% em comparação com o ciclo anterior. O motivo é o atraso na semeadura da soja, que reduziu a janela ideal para o cultivo do cereal. Ainda assim, o estado deve responder por 37,5% da produção nacional.
“Com esses resultados, o Estado reafirma sua posição como maior produtor de grãos do país, combinando volume, produtividade e avanços em infraestrutura para manter a competitividade do agronegócio mato-grossense no cenário nacional e internacional”, afirma o coordenador do Data Hub, Vinicius Hideki.
Argentina deve ficar atrás de Mato Grosso em volume total
Segundo relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) divulgado na semana passada, a produção de soja da Argentina deve atingir 49,5 milhões de toneladas em 2025/26, ligeiramente acima das 49 milhões de toneladas da temporada anterior.
A área cultivada será reduzida de 17,5 milhões para 16,5 milhões de hectares, devido ao retorno dos produtores ao plantio de milho e à preocupação com pragas após um ciclo de forte aposta na oleaginosa.
As exportações argentinas devem subir de 4,7 milhões para 5,5 milhões de toneladas, enquanto as importações devem recuar de 5,9 milhões para 5,8 milhões de toneladas. Os estoques finais estão projetados em 10,764 milhões de toneladas, acima dos 9,264 milhões do ciclo anterior.
Para o milho, a projeção é de 50 milhões de toneladas em 2024/25 — mesma estimativa anterior —, com 36 milhões de toneladas destinadas à exportação, conforme dados do USDA.