O que Lula disse a Putin sobre o Trump?

    Encontro ocorre em meio ao acirramento da guerra comercial entre Estados Unidos e China

    Por |
    O que Lula disse a Putin sobre o Trump?
    09deMaiode2025ás16:10

    Durante reunião bilateral com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, nesta sexta-feira (9), em Moscou, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou abertamente a política comercial dos Estados Unidos sob o comando de Donald Trump.

    O encontro ocorre em meio a tensões crescentes na geopolítica global e à intensificação da guerra comercial entre EUA e China, as duas maiores economias do mundo. 

    Lula afirmou que as medidas anunciadas recentemente por Trump — que incluem novas tarifas de importação sobre produtos de mais de 180 países, incluindo o Brasil — representam um retrocesso nos princípios do livre comércio e do respeito à soberania internacional.

    “As últimas decisões anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, de taxação de comércio com todos os países do mundo, de forma unilateral, jogam por terra a grande ideia do livre comércio, jogam por terra a grande ideia do fortalecimento do multilateralismo e jogam por terra, muitas vezes, o respeito à soberania dos países que nós temos que ter”, declarou Lula a Putin. 

    Apesar da crítica direta, Lula afirmou que o Brasil não adotou, até o momento, medidas retaliatórias contra os EUA, que seguem como o segundo maior parceiro comercial do país, atrás apenas da China. 

    Cooperação Brasil-Rússia

    No encontro, Lula também defendeu o fortalecimento da parceria estratégica com a Rússia. Segundo ele, há espaço para ampliar relações políticas, comerciais, tecnológicas e culturais entre os dois países — ambos integrantes do chamado Sul Global. 

    “Esta minha visita é para estreitar e refazer com muito mais força a nossa construção de parceria estratégica. O Brasil tem interesses políticos, comerciais, culturais, científicos e tecnológicos com a Rússia”, afirmou. 

     
     
     
     
     
    Ver esta publicação no Instagram
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     

    Uma publicação partilhada por Luiz Inácio Lula da Silva (@lulaoficial)

    Durante a visita, foram assinados atos nas áreas de ciência e tecnologia. A comitiva brasileira incluiu os ministros Alexandre Silveira (Minas e Energia), Luciana Santos (Ciência, Tecnologia e Inovação), além do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e do vice-presidente da Câmara, Altineu Côrtes.

    Comércio com déficit, mas com potencial

    Lula destacou o interesse do Brasil em equilibrar a balança comercial com a Rússia e aumentar as exportações.

    Em 2024, o comércio bilateral atingiu o recorde de US$ 12,4 bilhões, com o Brasil exportando US$ 1,4 bilhão (alta de 8% em relação a 2023) e importando US$ 11 bilhões (alta de 9%). 

    “É um comércio bastante deficitário para o Brasil, mas entendemos que o potencial de crescimento é grande. Temos interesse em discutir a área de defesa, espacial, científica e tecnológica, de educação e, sobretudo, a questão energética”, disse o presidente. 

    As exportações brasileiras concentram-se em soja (33%), café não torrado (18%) e carne bovina (18%). Já as importações são dominadas por óleo diesel e fertilizantes, insumos fundamentais para o agronegócio nacional.

    Putin afirmou que os laços entre Brasil e Rússia seguem se desenvolvendo em alto nível e destacou a relevância do Brasil como um dos principais compradores russos de alimentos.

     Agenda

    Lula desembarcou em Moscou na quarta-feira (7), em visita marcada pelas comemorações dos 80 anos da vitória da União Soviética sobre a Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial.

    A data é o feriado mais importante do país e foi celebrada com um desfile cívico-militar na manhã desta sexta-feira. 

    A agenda do presidente na Rússia se encerra neste sábado (10), quando ele segue para a China.

    Em Pequim, Lula participará da cúpula entre o país asiático e membros da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), nos dias 12 e 13 de maio, além de realizar visita de Estado, com previsão de assinatura de ao menos 16 atos bilaterais.

    Temas nesta notícia