Alckmin defende crescimento do seguro rural e diz que vai ao STF por liberação da Ferrogrão

    No 3º Congresso Abramilho, presidente em exercício também defendeu crédito para armazenagem nas fazendas

    Alckmin defende crescimento do seguro rural e diz que vai ao STF por liberação da Ferrogrão
    14deMaiode2025ás10:35

    O presidente da República em exercício, Geraldo Alckmin, defendeu o aumento do Plano Safra e do Seguro Rural e prometeu destravar a Ferrogrão no Supremo Tribunal Federal (STF) durante a abertura do 3º Congresso Abramilho, nesta quarta-feira (14), em Brasília.

    Segundo Alckmin, o próximo Plano Safra está sendo negociado entre governo e representantes do agro para ser maior que os anteriores, bem como o seguro rural diante das mudanças climáticas.

    “O seguro rural vai ter que crescer, porque as mudanças climáticas estão cada vez mais severas”, disse Alckmin, ao reforçar que a proteção aos produtores será cada vez mais necessária.

    Ele afirmou que o governo está estudando formas de ampliar o crédito voltado à armazenagem nas propriedades, dentro do novo Plano Safra, que será lançado em junho.

    Ferrogrão

    Alckmin voltou a defender enfaticamente a construção da Ferrogrão, ferrovia que ligará Sinop (MT) ao porto de Miritituba (PA) e é considerada estratégica para o escoamento da produção agrícola do Centro-Oeste.

    A obra está paralisada desde 2021 por decisão do STF, em razão de uma ação movida pelo PSOL, que questiona a retirada de uma faixa do Parque Nacional do Jamanxim (PA) para viabilizar o traçado da ferrovia.

    “Vou ao STF para brigar pela liberação da Ferrogrão”, afirmou o presidente em exercício.

    Alckmin ressaltou que sempre defendeu o projeto e argumentou que a ferrovia é essencial para modernizar a logística nacional, reduzir custos e mitigar impactos ambientais:

    “Eu defendo a Ferrogrão, sempre defendi. Nós precisamos integrar modais. Eu fiz a BR-163 de carro, é uma epopeia.”

    Ele destacou que a conexão da ferrovia até o porto de Miritituba e sua integração com a hidrovia no Arco Norte permitirá uma nova rota de exportação:

    “Então, na realidade, é fundamental você ter a Ferrogrão e a sua chegada até o porto de Miritituba, e aí com hidrovia já ir pelo Arco Norte para o resto do mundo. Você reduz muito custo, muito custo, você ganha competitividade, renda, e ajuda o meio ambiente.”

    O presidente também defendeu os benefícios ambientais do modal ferroviário.

    “Você vai trocar caminhão por ferrovia. E a ferrovia é uma reta, ela não induz desenvolvimento, não induz ocupação urbana. Ela é um tiro. Então ela é importante do ponto de vista ambiental, evitando desmatamento, é importante do ponto de vista de menor emissão e de competitividade.”

    Por fim, Alckmin reconheceu que a liberação do projeto depende de decisão judicial, mas sinalizou que o governo irá atuar:

    “Isso depende do Supremo Tribunal Federal. Nós vamos procurar colaborar para uma boa solução.”  

    A construção da Ferrogrão é articulada desde o governo do ex-presidente Michel Temer. O projeto da ferrovia pretende resolver problemas de escoamento da produção agrícola do Mato Grosso para o norte do país

    E30

    O presidente em exercício também comentou o avanço da proposta de elevar a mistura de etanol anidro na gasolina para 30%, o chamado E30. “Está andando”, afirmou.

    A liberação oficial da nova mistura ainda não tem data definida. Durante o Congresso, o presidente em exercício evitou dar uma data.

    Segundo o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, em entrevistas recentes a implementação deve ocorrer ainda em 2025, mas a decisão final depende da aprovação do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).

    Na área de infraestrutura e logística, Alckmin também ressaltou a importância do Arco Norte, com destaque para os portos de Miritituba (PA) e Itaqui (MA). Ele defendeu investimentos que melhorem o acesso a esses terminais por rodovias, ferrovias e hidrovias, com foco na integração de modais. 

    O Congresso Abramilho reúne produtores rurais, empresários, pesquisadores e representantes do governo para discutir os caminhos do milho e do sorgo no Brasil, com foco em sustentabilidade, inovação e os novos cenários geopolíticos e econômicos.

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