Sem Lula e Fávaro, sobra para Alckmin ir à Agrishow e prometer Plano Safra ampliado
Vice-presidente enfrenta críticas de governadores sobre apoio ao setor
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Sobre o relacionamento com os Estados Unidos, Alckmin defendeu o diálogo
A abertura da Agrishow 2025, neste domingo (27), em Ribeirão Preto (SP), contou com a ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro.
Diferentemente do ano passado, coube ao vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, assumir as rédeas mais uma vez e ser o único representante do governo federal no evento.
Na cerimônia, Alckmin fez questão de mencionar o presidente Lula em seu discurso.
"O presidente Lula tem feito muito por nossos produtores, com Planos Safras recordes, abertura de mais de 350 mercados no exterior, recursos para recuperação de áreas degradadas, reconhecimento do Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação e recursos para estimular nossa agroindústria. Um campo forte estimula toda nossa economia", declarou.
Alckmin prometeu levar pleito do agro para ampliar o Plano Safra
O vice-presidente destacou que o governo trabalha para ampliar os recursos do próximo Plano Safra, mas ponderou sobre a necessidade de maior equalização dos juros devido à alta da taxa Selic.
"Nós vamos trabalhar para ter o aumento do valor do Plano Safra, e ele certamente vai exigir uma equalização maior em razão do aumento da taxa Selic. Vou levar, sim, o pleito do Plano Safra condizente com o tamanho recorde que vai ser a safra agrícola deste ano no Brasil", afirmou.
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Alckmin disse ainda que o governo está atento às demandas do setor, mas evitou anunciar valores, que dependerão da capacidade de equalização de juros — atualmente com a Selic em 14,25%.
“Espero que a Selic não suba”, declarou à imprensa após a abertura.
Ele reforçou que o novo Plano Safra está em construção e deverá refletir a expectativa de colheita recorde em 2025.
Fortalecer agro e indústria
Alckmin destacou a interligação entre o agronegócio e a indústria para impulsionar o crescimento econômico do país.
“Quando o agro vai bem, ajuda a indústria e, quando a indústria vai bem, ajuda o agro. São setores interligados, indispensáveis na engrenagem econômica do país", disse.
O vice-presidente ressaltou ainda a importância da Agrishow no estímulo à inovação tecnológica no campo, anunciando um pacote de R$ 80 bilhões do BNDES para investimentos em inovação, com taxa de juros de 4% ao ano.
Sobre o relacionamento com os Estados Unidos, Alckmin defendeu o diálogo.
“A situação com os Estados Unidos não é boa para ninguém, mas deverá gerar possibilidades para o Brasil. Se for olho no olho, todos ficam cegos”, afirmou.

Entre as medidas citadas para fortalecimento do agro, Alckmin mencionou o aumento da mistura de etanol na gasolina (de 30%, com previsão de 35%) e a elevação da mistura de biodiesel no diesel para 14%. Também destacou o programa Nova Indústria Brasil (NIB) e o esforço para ampliar a competitividade internacional, com a expectativa de conclusão do acordo entre Mercosul e União Europeia e a criação do portal único de exportações.
Lula justificou ausência
De acordo com o presidente da Agrishow, João Carlos Marchesan, a ausência de Lula foi justificada por meio de ligação do chefe de gabinete do presidente.
“O presidente Lula justificou a ausência por meio de um telefonema do chefe de gabinete, dizendo que ele não poderia vir porque iria ao velório do papa Francisco, mas que Alckmin viria”, disse Marchesan à CNN.
Governadores criticam falta de apoio ao agro
A presença isolada de Alckmin na abertura evidenciou o distanciamento do governo federal com parte do setor agropecuário. O vice esteve acompanhado de governadores e representantes estaduais, que aproveitaram o evento para cobrar mais apoio ao campo.
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), elogiou o crescimento do agro, mas cobrou maior investimento em tecnologia, inovação e pesquisa.
“Deveríamos estar em uma condição muito melhor de capacidade de produção. O que vem nos penalizando é exatamente a falta de apoio na área de tecnologia, inovação e pesquisa", criticou.

Caiado também apontou problemas estruturais como o seguro rural e a falta de mão de obra qualificada.
“Isso leva ao estrangulamento da atividade, por isso precisamos cada vez mais de boas cabeças e talentos capazes de dar continuidade a esse crescimento do agronegócio no país. O Brasil não aceita mais ser um país onde a juventude seja tutelada por programa social”, disse.
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), destacou a força do agro mineiro, que em 2024 ultrapassou a mineração nas exportações pela primeira vez.
“O ano passado foi o ano da virada para Minas Gerais. Essa marca, que nunca tinha acontecido antes, mostra que somos um governo comprometido com o setor”, afirmou.
Guilherme Piai Filizzola, secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo — que representou o governador Tarcísio de Freitas — destacou a eficiência do agro brasileiro impulsionada pela tecnologia.
“A tecnologia embarcada diminuiu o desperdício, aumentou a lucratividade e levou prosperidade ao produtor. Em poucas décadas, o agro brasileiro deixou de ser importador para se tornar um grande exportador”, afirmou.
O deputado federal Pedro Lupion (PP-PR), presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), cobrou que o próximo Plano Safra seja robusto, com atenção especial ao seguro rural e ao fortalecimento do Fiagro (Fundo de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais).
“Que a gente tenha um Fiagro sem taxação”, defendeu.