Ministério da Agricultura tentou enviar testes vencidos de gripe aviaria ao RS

    Folha de S.Paulo revelou impasse sobre insumos do Mapa antes da emergência em Montenegro

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    Ministério da Agricultura tentou enviar testes vencidos de gripe aviaria ao RS
    21deMaiode2025ás14:34

    A  confirmação do primeiro caso de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) em uma granja comercial no Brasil, em Montenegro, no Rio Grande do Sul, reacendeu o debate sobre a fiscalização agropecuária no país.

    Segundo revelou a Folha de S.Paulo nesta quarta-feira (21), o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) tentou enviar ao estado kits emergenciais para coleta de amostras biológicas, mas a oferta esbarrou em entraves logísticos e burocráticos.

    A Secretaria da Agricultura gaúcha recusou os materiais por estarem próximos do vencimento ou com certificado expirado, como no caso das caixas homologadas para transporte aéreo.

    Embora o estado tenha demonstrado interesse apenas em parte dos kits — como swabs e caixas de isopor — o Ministério da Agricultura não autorizou a retirada fracionada, como revelou a reportagem. O impasse começou em abril e se manteve sem solução, mesmo após a confirmação do foco da doença, em 15 de maio.

    O governo estadual justificou a decisão informando já possuir estoque suficiente de frascos com solução preservadora (MTV), e afirmou que os certificados vencidos das embalagens impediam seu uso legal.

    As tratativas para receber os demais itens seguiram sem sucesso, mesmo após tentativa de retirada no laboratório do ministério em Porto Alegre. 

    Ainda segundo a Folha, a Secretaria da Agricultura destacou que mantém kits distribuídos entre as equipes do Serviço Veterinário Oficial, o que tem garantido as vistorias nas propriedades no entorno do foco.

    Até o dia 20 de maio, o estado já havia vistoriado todas as 540 propriedades dentro do raio de 10 quilômetros do foco em Montenegro, além de revisitar as 19 propriedades com presença de aves na faixa de 3 quilômetros. 

    O Brasil mantém oito investigações ativas de suspeita de gripe aviária  de alta patogenicidade (H5N1), segundo atualização mais recente do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

    Encontro em Brasília adia início da contagem oficial

    Na terça-feira (20), o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, e o governador Eduardo Leite (PSD) se reuniram em Brasília para discutir o enfrentamento à gripe aviária no Rio Grande do Sul.

    Fávaro ressaltou a importância da atuação conjunta entre os governos federal, estadual e municipal para conter o avanço do vírus. Segundo ele, o bloqueio sanitário tem sido eficiente e demonstra a robustez do sistema brasileiro de defesa agropecuária.

     O ministro informou, no entanto, que a expectativa de iniciar o chamado “marco zero” — a contagem de 28 dias sem novos casos, prevista em protocolos internacionais — precisou ser adiada.

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     A nova previsão é que a contagem comece na quinta-feira (22), uma vez que a desinfecção da granja comercial em Montenegro ainda não foi concluída.

    “Precisamos garantir que o ciclo de observação transcorra com total segurança. Por isso, estamos reforçando as ações de prevenção para evitar novos focos”, afirmou Fávaro. 

    Eduardo Leite elogiou o empenho das equipes técnicas envolvidas e disse que o caso serve como exemplo da seriedade com que o Brasil trata a sanidade animal.

    “Estamos muito tranquilos com os encaminhamentos. O trabalho está sendo feito com responsabilidade e compromisso”, afirmou o governador. 

    A reunião também tratou da prorrogação das dívidas dos produtores rurais, uma demanda antiga do setor. De acordo com Fávaro, o governo federal já pactuou o encaminhamento e agora trabalha na construção de uma proposta para reestruturação dos débitos, com o objetivo de permitir a recuperação financeira e novos investimentos por parte dos produtores.

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