Anvisa proíbe venda de três marcas de “café fake” contaminado com toxina

    Marcas foram desclassificadas por risco à saúde e rotulagem enganosa

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    Anvisa proíbe venda de três marcas de “café fake” contaminado com toxina
    02deJunhode2025ás14:14

    A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou o recolhimento e a proibição da venda de três marcas de “pó para preparo de bebida sabor café”, popularmente conhecido como “café fake”, após constatar a presença da toxina ocratoxina A (OTA), substância tóxica e imprópria para o consumo humano.

    A decisão foi publicada nesta segunda-feira (2) e atinge todas as etapas da cadeia: fabricação, comercialização, distribuição, propaganda e uso dos produtos.

    As marcas afetadas são:

    • Marca Melissa, fabricada por D M Alimentos Ltda.

    • Marca Pingo Preto, fabricada por Jurere Caffe Comércio de Alimentos Ltda.

    • Produto sem marca comercial evidente, identificado apenas como “Pó para Preparo de Bebida Sabor Café”, fabricado por Master Blends Indústria de Alimentos Ltda.

    Todos os lotes desses produtos devem ser retirados do mercado. A comercialização, distribuição, fabricação, propaganda e uso estão proibidos em todo o território nacional.

    Esses produtos já haviam sido desclassificados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em 25 de maio, por serem considerados impróprios para consumo.

    Além da contaminação, as inspeções identificaram uso de matérias-primas adulteradas e falhas nas boas práticas de fabricação.

    Irregularidades encontradas

    A inspeção conduzida pelo Ministério da Agricultura e Pecuária apontou as seguintes irregularidades nos três produtos:

    • Contaminação por ocratoxina A, micotoxina produzida por fungos, com potencial tóxico para humanos.

    • Presença de resíduos e impurezas, como cascas e restos do café, incorretamente rotulados como “café torrado e moído” ou “polpa de café”.

    • Falhas no controle de qualidade e na seleção de matéria-prima, comprometendo o produto final.

    • Rótulos enganosos, com imagens e descrições que induzem o consumidor a acreditar que se trata de café verdadeiro.

    Além disso, análises laboratoriais identificaram teores de impurezas acima do limite legal de 1%, segundo a legislação vigente. Foram encontradas matérias estranhas como pedras, areia, sementes de outras espécies, além de galhos, folhas e cascas.

    Impactos para o setor

    Além de representar risco à saúde, o “café fake” prejudica a imagem da indústria cafeeira brasileira.

    O setor sofre com a concorrência desleal de empresas clandestinas, que muitas vezes registram os produtos como “pó para preparo de bebida tipo café”, categoria genérica que tenta burlar a fiscalização.

    O governo federal e entidades do setor cafeeiro seguem monitorando o mercado e orientam os consumidores a denunciarem produtos suspeitos aos órgãos de vigilância sanitária e defesa agropecuária.

    Como identificar e evitar fraudes

    Para garantir a compra de um café puro e seguro, a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) recomenda:

    • Desconfie de preços muito baixos: Um pacote de 500g de café puro custa, em média, R$ 30.

    • Prefira café em grãos: Moer na hora evita impurezas e preserva o sabor.

    • Evite torras escuras demais, que podem mascarar defeitos ou resíduos.

    • Verifique a embalagem: Procure o selo de pureza da Abic, informações sobre origem e QR Code para rastreamento do produto.

     

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