O que se sabe até agora sobre o Plano Safra 2025/2026?
Anúncio deve ocorrer no início da próxima semana
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A tradicional expectativa em torno do Plano Safra 2025/2026 ganhou contornos de “tensão pré-anúncio” neste fim de junho com a proximidade da divulgação, prevista para o início da semana que vem, da política de crédito rural para a agricultura familiar e empresarial.
Nesta quinta-feira (26/6), o governo federal realizou a primeira reunião de alto escalão sobre o tema, sinalizando que os valores deste ano poderão novamente recordes. O aumento parece mais provável para a agricultura familiar, mas também possível também para os grandes e médios.
Na semana passada o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Guilherme Campos, afirmou que a pasta tem como ponto de partida o volume de recursos da atual temporada 2024/2025, o que mantém as esperanças.
Após o encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, indicou que a Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) manterá a trajetória de expansão. "Você acha que a gente vem aqui para jogar recuado?", brincou com jornalistas.
Os pequenos produtores deverão conhecer os números e taxas já na segunda-feira (dia 30), às 10h.
Já o lançamento do Plano Safra da Agricultura Empresarial parece ter ficado para o dia seguinte, terça-feira (1º/7), ainda sem horário definido.
Segundo o secretário Campos, os valores ainda estão sendo ajustados, em meio a dificuldades técnicas para equalizar os juros diante do cenário macroeconômico desafiador.
“O Plano Safra anterior é o nosso piso. Nosso objetivo é, no mínimo, garantir aquele patamar. E, dentro dos limites fiscais, buscar crescer. Fora disso, é especulação”, comenta.
Números
Na safra atual, o Pronaf disponibilizou R$ 76 bilhões, dos quais R$ 60,2 bilhões já haviam sido acessados até maio.
O novo valor deverá superar essa marca, em linha com a política do governo Lula de fortalecimento da produção de alimentos por pequenos agricultores e comunidades tradicionais.
Por outro lado, o Plano da agricultura empresarial encontra um contexto mais turbulento. Com a taxa Selic a 15% ao ano, o custo das subvenções federais subiu.
Em 2024, o governo precisou aumentar o orçamento da equalização de juros em R$ 2,7 bilhões, totalizando R$ 16,3 bilhões. Para este ano, o setor pede R$ 25 bilhões para manter taxas minimamente atrativas aos produtores.
A reunião desta quinta-feira contou também com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, representantes do Planejamento e Orçamento e do ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro. Ele, no entanto, preferiu não comentar o resultado da conversa.
Segundo reportagem da Globo Rural, o Plano Safra poderia chegar próximo a R$ 600 bilhões, na soma da agricultura familiar e empresarial. No entanto, o número acrescenta recursos que não eram considerados como Plano Safra até este ano.
Em 2024/25, R$ 400,5 bilhões da agricultura empresarial, R$ 76 bilhões do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e R$ 108 bilhões das Cédulas de Produto Rural (CPRs) direcionadas.