Juros elevados ameaçam Plano Safra e colocam agronegócio em alerta

    Setor teme taxas impraticáveis e cortes no seguro rural às vésperas do anúncio oficial

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    Juros elevados ameaçam Plano Safra e colocam agronegócio em alerta
    27deJunhode2025ás12:07

    A poucos dias do anúncio oficial do Plano Safra 2025/2026, o clima no agronegócio brasileiro é de forte apreensão.

    Previsto para ser divulgado entre segunda (30) e terça-feira (1º), o novo pacote de crédito rural chega cercado de incertezas, especialmente quanto ao custo do financiamento e à redução no orçamento do seguro rural.

    Lideranças do setor temem que os juros elevados inviabilizem a produção, pressionem os pequenos e médios produtores e provoquem um efeito dominó na cadeia do agronegócio — da compra de insumos à oferta de alimentos.

    Crédito que sufoca

    Para Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio (IA), o cenário atual é preocupante. “O crédito rural existe para dar fôlego ao produtor, não para sufocar. Se os juros ultrapassarem 15% ao ano, como se prevê, muitos simplesmente não conseguirão financiar sua atividade. E sem seguro rural adequado, o risco de quebrar é ainda maior”, alerta.

    Rezende reforça que o crédito rural foi criado para impulsionar a produção.

    “Se o Plano Safra vier com taxas impraticáveis, quem mais vai sofrer é quem mais precisa: o pequeno e médio produtor.” Para ele, o corte no seguro rural envia um sinal negativo. “Estamos falando de um país com riscos climáticos enormes. Tirar essa proteção do produtor é o mesmo que pedir para ele plantar no escuro.”

    Corte no seguro rural amplia insegurança

    A  apreensão aumentou após o governo federal anunciar o corte de R$ 445 milhões no Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), justamente na reta final da elaboração do novo Plano Safra. O movimento foi interpretado por lideranças do campo como um recado de desprestígio à política agrícola.

    A senadora e ex-ministra da Agricultura, Tereza Cristina, foi direta.

     “A agricultura não sobrevive com juros de 20%. Isso está totalmente fora da realidade de quem lida com sol, chuva e risco todos os dias.” Segundo ela, o campo não pode continuar refém de promessas. “O crédito precisa ser acessível e o seguro, garantido.”

    Custo do dinheiro trava o setor

    Maurício Buffon, presidente da Aprosoja Brasil, destaca que o custo do crédito já começa a impactar a compra de insumos e a comercialização da safra.

    “O produtor está sentindo o peso do custo do dinheiro — e isso está freando as compras de insumo e diminuindo a comercialização da nova safra. O Plano Safra precisa equalizar juros e garantir segurança no campo, caso contrário, será difícil atender a demanda do setor.”

    Para Buffon, o corte no seguro rural é mais do que um ajuste fiscal. “Esperamos que o governo entenda que não se trata de privilégio, mas de proteção para manter a produção e a cadeia alimentícia funcionando.”

    Plano Safra como política de Estado

    A cobrança por medidas estruturais também chegou ao Congresso.

    O deputado Pedro Lupion, presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), defendeu que o Plano Safra seja tratado como uma política de Estado, livre de ideologias. “Investir no campo é combater a inflação dos alimentos, não rebater preços nas prateleiras”, afirmou.

    Impacto direto na produção

    No Mato Grosso do Sul, a leitura é a mesma. Fábio Caminha, da Federação da Agricultura e Pecuária do estado (Famasul), diz que o corte no seguro e os juros altos representam um risco real de retração da atividade. “O produtor daqui vem de anos difíceis, com perdas climáticas e frustração de safra. Para muitos, só resta o crédito para tentar se manter. Com menos apoio do governo, o risco aumenta.”

    Paulo Renato Stefanello, da Aprosoja-MS, ressalta que o novo cenário pode frear os investimentos. “O seguro foi reduzido quase pela metade. Isso não só desprotege o produtor como inibe o investimento. E se o crédito vier caro, a produção vai encolher. Não é o que o Brasil precisa.”

     

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