Lula admite negociar com os EUA, mas manda recado a Trump: “Não seremos subalternos”

    Vice-presidente Alckmin detalha perdas no comércio e reforça busca por novos mercados, como o México

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    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva coordena reunião ministerial, no Palácio do Planalto. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva coordena reunião ministerial, no Palácio do Planalto. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

    26deAgostode2025ás14:44

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva liderou, nesta terça-feira (26), a segunda reunião ministerial de 2025 e aproveitou a ocasião para enviar recados ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

    Ao criticar a política norte-americana de elevação de tarifas contra parceiros comerciais, Lula afirmou que o Brasil não aceitará “desaforo, ofensas e petulância de ninguém”.

    Segundo o presidente, o país está disposto a negociar, mas sempre em condições de igualdade. 

    “Estamos dispostos a sentar na mesa em igualdade de condições. O que não estamos dispostos é sermos tratados como se fôssemos subalternos. Isso nós não aceitamos de ninguém. É importante saber que o nosso compromisso é com o povo brasileiro”, disse Lula.

    Durante a reunião, Lula e seus ministros usavam bonés azuis com a frase: “O Brasil é dos brasileiros”.

    Ele reforçou que cada integrante do governo deve defender publicamente a soberania nacional. “Se a gente gostasse de imperador, o Brasil ainda seria monarquia. A gente não quer mais. A gente quer esse país democrático e soberano, republicano”, acrescentou.

     

     
     
     
     
     
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    Impacto do tarifaço nas exportações

    O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, apresentou dados sobre os impactos da política tarifária norte-americana. Segundo ele, 35,6% de tudo que o Brasil exporta para os Estados Unidos está sob tarifa de 50%.

    A medida faz parte da nova política comercial de Trump, anunciada em 2 de abril, que impôs barreiras alfandegárias de acordo com o déficit comercial dos EUA com cada país.

    Como havia superávit com o Brasil, a tarifa inicial foi de 10%. Porém, em 6 de agosto, o governo norte-americano acrescentou mais 40% em retaliação a medidas que, segundo Trump, prejudicariam as big techs e em resposta ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro.

    Além disso, 23,2% das exportações brasileiras estão sujeitas à Seção 232 da Lei de Expansão Comercial, que aplica tarifas a todos os países, com exceção do Reino Unido. Produtos como aço, alumínio e cobre pagam 50%; automóveis e autopeças, 25%. Já os 41,3% restantes seguem com tarifa de 10%.

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    Medidas do governo brasileiro

    Para mitigar os impactos, o governo lançou o Plano Brasil Soberano. Assinado por Lula no último dia 13, o pacote prevê R$ 30 bilhões em crédito para exportadores, mudanças no seguro de crédito à exportação e em fundos garantidores, suspensão de tributos sobre insumos importados (drawback) e compras governamentais de gêneros alimentícios que deixaram de ser exportados.

    Segundo Alckmin, além das medidas emergenciais, a estratégia é ampliar o acesso a novos mercados. Ainda nesta terça-feira, ele e outros ministros viajaram ao México para discutir oportunidades nas áreas agrícola, de biocombustíveis, aviação, energia e indústria.

    “O presidente Lula tem orientado diálogo permanente, soberania, Brasil não abre mão da sua soberania, Estado de Direito, separação dos poderes, que é a peça basilar do Estado de Direito e, ao mesmo tempo, negociação e diálogo para a gente corrigir essa absoluta distorção da política regulatória”, afirmou o vice-presidente.

    Big Techs em foco

    Lula também respondeu às pressões de Washington em defesa das grandes empresas de tecnologia. Para ele, as big techs são patrimônio norte-americano, mas não podem se sobrepor à legislação brasileira.

    “As big techs são um patrimônio americano e que ele não aceita que ninguém mexa. Isso pode ser verdade para eles. Para nós, ele é um patrimônio americano, mas não é nosso patrimônio”, afirmou. 

    O presidente reforçou que empresas estrangeiras devem respeitar a soberania nacional: “Nós somos um país soberano, nós temos uma Constituição, nós temos uma legislação e quem quiser entrar nesses 8,5 milhões de quilômetros quadrados, no nosso espaço aéreo e marítimo, na nossa floresta tem que prestar contas à nossa Constituição e à nossa legislação”.

    Novo slogan

    O governo adotará a partir de agora um novo slogan para apresentar as ações e fortalecer a comunicação. A partir da semana que vem, as peças publicitárias trarão a frase “Do lado do povo brasileiro” no lugar de “União e Reconstrução”, slogan adotado no início do governo.

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