Paraná aposta em inteligência artificial para ampliar exportações ao mercado europeu
Estado busca reconhecimento da União Europeia como território de baixo risco ambiental e lança plataforma sustentável com apoio da IA
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Governo do Estado está trabalhando em conjunto com o setor produtivo para que o Paraná seja tratado de forma diferenciada do restante do País. (Foto: Jaelson Lucas/AEN)
O governo do Paraná aposta no uso de inteligência artificial para ampliar o acesso da agroindústria local ao mercado europeu.
A tecnologia será a base da Plataforma Paraná Sustentável, sistema que vai unificar cadastros e dados ambientais para comprovar a conformidade das propriedades rurais com as exigências da União Europeia.
A iniciativa busca garantir ao Estado o status de território de baixo risco ambiental, o que reduziria custos de certificação, eliminaria auditorias presenciais e aumentaria a competitividade dos produtos paranaenses no bloco europeu.
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Atualmente, o Paraná segue o enquadramento padrão do Brasil, o que encarece exportações.
Essa diferenciação ganha ainda mais relevância porque, a partir de dezembro, entra em vigor a nova regulamentação europeia que veta importações de produtos oriundos de áreas desmatadas após 2020 ou que não cumpram normas ambientais e sanitárias.
A estratégia foi discutida nesta quarta-feira (17), em reunião entre o governador Carlos Massa Ratinho Junior, órgãos estaduais e representantes do setor produtivo, no Palácio Iguaçu.

Plataforma Paraná Sustentável
Para atender às novas regras, o governo desenvolve a Plataforma Paraná Sustentável, que vai unificar cadastros e dados ambientais com apoio de Inteligência Artificial (IA). O lançamento está previsto para dezembro deste ano.
O projeto começou em fevereiro, com a criação da Superintendência Geral de Ordenamento Territorial, responsável pela coordenação.
Atualmente, o Paraná tem 244 mil propriedades com Cadastro Ambiental Rural (CAR) regularizado, cerca de 45% do total de mais de 500 mil propriedades do Estado e 36% de todos os CARs regulares do país.
Segundo o superintendente-geral de Ordenamento Territorial, Benno Henrique Weigert-Detzer, a iniciativa é uma resposta a uma demanda do setor produtivo:
“O Paraná tem condições diferenciadas em relação ao restante do País, fruto de décadas de políticas públicas ambientais e boas práticas. O pedido é que o Estado seja reconhecido como ente subnacional e receba a classificação de baixo risco, o que permitiria análises documentais das exportações, sem a necessidade de auditorias em campo.”
Ele explicou que a tecnologia será a base para consolidar dados de meio milhão de propriedades:
“Controlar manualmente todas essas unidades é impossível. Por isso, estamos utilizando Inteligência Artificial para cruzar bases de dados ambientais, sanitárias e produtivas, gerando um perfil único da propriedade. Isso vai comprovar que a produção paranaense atende aos protocolos de exportação.”
CEP Rural e parceria com Google
Além de atender ao mercado europeu, a plataforma trará ganhos internos. Todas as propriedades terão um “CEP Rural” e geolocalização definidos, facilitando a rastreabilidade e a gestão territorial.
O sistema está sendo desenvolvido em parceria com o Google, que financia a solução e integra dados de diferentes bases estaduais e federais por meio de APIs.
Sustentabilidade como ativo competitivo
Para o presidente do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), Natalino Avance de Souza, o Estado tem credenciais sólidas para pleitear o reconhecimento europeu:
“O Paraná é hoje o território mais sustentável do Brasil. Fomos considerados pelo Banco Mundial como modelo em boas práticas agrícolas. Queremos mostrar que essa trajetória nos credencia a um tratamento diferenciado, garantindo mais competitividade aos produtores.”
Ele ressaltou ainda que sustentabilidade e sanidade agropecuária são determinantes para acessar mercados internacionais:
“Estamos trabalhando junto com os agricultores para mostrar que sustentabilidade não é contrária à competitividade. Pelo contrário: ela abre mercados, fortalece a economia e dá segurança a quem compra os nossos produtos.”