Do Sul a Mato Grosso: a jornada de fé e superação de Mário Basílio no campo
História de um produtor que transformou trabalho, fé e família em um legado na agricultura mato-grossense
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Nascido na pequena cidade de Campos Novos (SC), Mário Antunes Basílio traz na lembrança uma história marcada por coragem e resiliência.
Em 1983, aos 25 anos, ele se mudou com a esposa Eliane e a filha mais velha, Fabrícia, para Mato Grosso com um sonho: construir uma vida no campo. Foi uma decisão corajosa — e arriscada.
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Nos primeiros anos, Mário somava jornadas duplas: conciliava o trabalho na fazenda com a construção civil, dedicando esforços e muitas horas numa empresa da família da esposa. Chegou a percorrer 100 mil quilômetros em um ano.
A rotina era exaustiva, e as distâncias, difíceis de equilibrar.
Em entrevista ao site da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), ele conta que, em certo momento, percebeu o peso da ausência em casa: calendários marcados pela mulher, Eliane, com um “X” nos domingos em que ele não esteve presente.
“Perguntei para minha esposa o que eram aqueles X’s — e ela respondeu: ‘os domingos que você não ficou’.”
Para Eliane, deixar Santa Catarina não foi apenas uma mudança geográfica: foi enfrentar a saudade da família, lidar com a solidão e construir raízes em terreno desconhecido.
Mesmo assim, ela perseverou ao lado do marido, ajudando na gestão da fazenda, nos desafios da casa e no cuidado dos filhos.
Conselho valioso
Há uma lembrança que ela guarda com emoção: em um momento de desalento, chegou a dizer que voltaria para a cidade natal — até receber do pai um conselho certeiro.
“Quem volta de ré é caranguejo.”
Essa frase a fez encontrar firmeza para seguir.
Em 1995, o casal decidiu abandonar a construção civil e dedicar-se integralmente à agricultura. Hoje, cultivam uma produção diversificada — soja, milho, gergelim e arroz, além da criação de gado.
Os filhos Fabrícia, Mário Júnior e André já integram a gestão da propriedade, trazendo inovação e continuidade ao legado familiar.
Para Mário, sua escolha é também vocação.
“Produzir alimento é um privilégio. Se me perguntassem qual profissão eu escolheria, mesmo com todas as dificuldades, eu escolheria de novo ser agricultor.”
Ele reconhece as ausências, os sacrifícios e os erros (e também os acertos) — mas se orgulha da caminhada. Aos 67 anos, enxerga nas lavouras um valor para além da produção: vê história, fé, amor, trabalho e uma família que germinou junto com a terra.