Entenda o período de defeso e a piracema: o que muda para pescadores e consumidores

    Pesca comercial fica suspensa até janeiro para proteger reprodução dos peixes e preservar espécies nativas

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    Entenda o período de defeso e a piracema: o que muda para pescadores e consumidores
    10deOutubrode2025ás11:45

    O período de defeso da piracema começou em 1º de outubro e segue até 31 de janeiro de 2026, restringindo a pesca comercial em boa parte dos rios brasileiros.

    A medida, adotada anualmente, busca proteger o ciclo reprodutivo dos peixes e garantir a conservação dos recursos pesqueiros.

    As restrições valem para as bacias dos rios Paraguai, Amazonas e Araguaia-Tocantins, em Mato Grosso, e também se estendem a outras regiões do país, conforme os calendários definidos por cada estado.

    O que é o período de defeso

    Durante a piracema, é instituído o período de defeso, quando a pesca comercial fica suspensa para permitir a reprodução das espécies.

    A norma atinge pescadores artesanais e industriais, e quem descumprir a proibição comete crime ambiental.

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    O decreto que regulamenta a Lei de Crimes Ambientais prevê detenção de até três anos, multa de R$ 700 a R$ 100 mil e acréscimo de R$ 20 por quilo de pescado apreendido, além da apreensão de barcos, redes e motores utilizados nas infrações.

    Durante o período, apenas a pesca de subsistência desembarcada é permitida. Fica proibido o transporte e a comercialização de pescado, exceto quando a origem for comprovadamente de aquicultura ou pesque-pague licenciados.

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    O que é a piracema

    A palavra “piracema” vem do tupi e significa “subida dos peixes”. O termo descreve o fenômeno natural em que os cardumes nadam contra a correnteza em busca de locais adequados para a desova. Esse processo é essencial para manter o equilíbrio ecológico dos rios e lagos e garantir a reposição natural das espécies.

    A coordenadora-geral de Gestão Participativa Continental da Secretaria Nacional de Pesca Artesanal, Bianca Larissa de Mesquita Sousa, explica que a piracema é um período essencial para a sustentabilidade da pesca.

    “É um momento crucial para que ocorra a desova e o nascimento de novos indivíduos, garantindo a reposição natural dos estoques e a continuidade da pesca no futuro”, afirmou.

    Segundo Bianca, os períodos de defeso são definidos a partir de dados científicos e estudos técnicos de órgãos de pesquisa e instituições ambientais.

    “Essas informações permitem identificar os momentos críticos do ciclo reprodutivo das espécies e, assim, estabelecer as datas adequadas para a suspensão da pesca”, completou.

    Regiões e diferenças no calendário

    O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) define o defeso conforme o ciclo natural das espécies em cada bacia hidrográfica. As datas variam entre os estados e podem incluir proibições totais ou restrições específicas a determinadas modalidades de pesca, especialmente em barragens, cachoeiras e confluências de rios.

    O MPA divulgou recentemente uma lista com os períodos de defeso de todos os municípios do país, disponível em seu site oficial.

    O seguro-defeso

    Durante o defeso, pescadores artesanais têm direito ao Seguro-Desemprego do Pescador Artesanal, o chamado seguro-defeso, criado em 2003. O benefício garante um salário mínimo mensal durante a suspensão da pesca.

    Para ter acesso ao benefício, o pescador deve:

    • viver exclusivamente da pesca;

    • estar inscrito no Registro Geral da Atividade Pesqueira (RGP);

    • possuir a Licença de Pescador Profissional válida;

    • e, a partir de dezembro de 2025, apresentar a Carteira de Identidade Nacional (CIN).

    “Esse instrumento assegura que o pescador possa cumprir as restrições temporárias sem comprometer seu sustento, fortalecendo a adesão ao defeso e garantindo a efetividade das medidas de proteção aos peixes”, destacou Bianca Sousa.

    Fiscalização e combate a fraudes

    Em junho de 2025, entrou em vigor uma medida provisória com novas regras para a concessão do seguro-defeso, com o objetivo de coibir fraudes e garantir transparência.

    O ministro da Pesca e Aquicultura, André de Paula, afirmou que o governo federal tem ampliado a fiscalização para assegurar que o benefício chegue a quem realmente tem direito.

    “O governo sempre atuará para combater as fraudes, de modo a assegurar o pagamento a quem de fato tem direito”, declarou.

    Durante o defeso, o consumidor também deve ficar atento à origem do peixe comercializado. Só é permitida a venda de produtos com comprovação de procedência, como os provenientes da aquicultura ou de pesque-pagues licenciados.

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