Atraso das chuvas ameaça safra 2025/26 de soja em Mato Grosso, alerta Aprosoja-MT

    Entidade aponta irregularidade das precipitações, risco de replantio e redução da janela para o milho em meio a margens mais apertadas no campo

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    Atraso das chuvas ameaça safra 2025/26 de soja em Mato Grosso, alerta Aprosoja-MT
    17deOutubrode2025ás08:35

    O  atraso na regularização das chuvas em Mato Grosso tem acendido o alerta entre os produtores rurais.

    Apesar do fim do vazio sanitário da soja em 6 de setembro, até a última atualização do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), menos de 25% da área prevista para a safra 2025/26 havia sido semeada.

    Segundo a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), a falta de precipitações contínuas limita o ritmo das operações em campo, aumenta o risco de falhas de estande e replantio e pressiona a janela da segunda safra de milho.

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    Plantio irregular e previsões frustradas

    O presidente da Aprosoja MT, Lucas Costa Beber, avalia que o cenário tem sido desafiador em todas as regiões do estado.

    “O andamento do plantio chegou a 21%, porém nós temos observado que há muitas previsões de chuva que não têm se confirmado. Havia uma expectativa de aceleração de plantio já após a segunda quinzena de setembro e estamos entrando na segunda quinzena de outubro e as chuvas ainda não regularizaram. Ou seja, mesmo com esse plantio em andamento, havia lugares que estavam há mais de 10 dias sem chuvas, o que pode causar deficiência no estande de plantas, má distribuição de plantio ou necessidade de replantio, que ainda não é possível mensurar. Tem sido um plantio desafiador este ano, porque apesar do ritmo acelerado, as chuvas ainda precisam se regularizar para termos maior segurança”, afirmou.

    A entidade reforça que a regularização das precipitações é essencial para garantir o avanço da semeadura e resguardar a janela do milho — cultura que vem ganhando cada vez mais espaço na produção estadual.

    Produtividade em risco

    Beber alerta para o risco de queda de produtividade em lavouras que enfrentaram longos períodos de estiagem após a semeadura.

    “Tivemos casos de lavouras semeadas que só receberam chuva até poucos dias depois. Essas plantas tendem a perder porte, ficar mais baixas e, com falhas de estande, podem comprometer a produtividade e, consequentemente, a produção do estado, até porque uma área significativa já foi plantada. Isso pode impactar o resultado final lá na frente e, além disso, muitos produtores não conseguiram acelerar o plantio para evitar um atraso na segunda safra. Isso preocupa, já que o ideal é que, até 20 de outubro, as áreas destinadas ao milho estejam todas plantadas para garantir uma janela segura de produção.”

    Custo alto e margens apertadas

    Em um ano de margens pressionadas e menor espaço para investimentos, a Aprosoja-MT também chama atenção para os impactos financeiros do cenário, especialmente diante da necessidade de replantio.

    “Quando é preciso replantar, o custo é muito alto. Muitas vezes o produtor fica em dúvida para não perder a janela da segunda safra. Por outro lado, se não replantar, pode colher menos, ainda que tenha caprichado no plantio. E ainda temos outros cenários, como quando a semente não tem o vigor desejável e as perdas podem aumentar”, ressaltou o presidente da Aprosoja MT.

    A Aprosoja MT segue acompanhando o avanço da semeadura e reforçando a importância de linhas de crédito compatíveis com as dificuldades enfrentadas no campo, a fim de mitigar perdas e preservar a viabilidade econômica dos produtores.

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