União Europeia retoma pré-listing para exportação de ovos do Brasil
Bloco europeu também confirmou auditoria em pescados e o Suriname abriu mercado para carne suína brasileira

A União Europeia retomou o sistema de pré-listing para exportação de ovos do Brasil, permitindo que o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) indique diretamente os estabelecimentos habilitados a vender para o bloco.
O anúncio foi feito nesta terça-feira (4) pelo ministro Carlos Fávaro, durante a 23ª Conferência de Ministros da Agricultura das Américas, e marca mais um avanço nas tratativas sanitárias entre os dois lados.
Com a decisão, a pasta volta a indicar diretamente os estabelecimentos que cumprem os requisitos sanitários exigidos pela União Europeia, sem necessidade de auditorias prévias, o que deve agilizar o acesso de novas empresas ao mercado.
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O pre-listing é o mecanismo pelo qual o Mapa atesta e indica as empresas brasileiras que cumprem as exigências sanitárias da União Europeia.
Na semana passada, o mesmo modelo havia sido retomado para as carnes de frango, também conduzido pelo ministro Fávaro e sua equipe.

Confiança renovada no sistema brasileiro
Segundo o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, a decisão “reitera a confiança no sistema de inspeção brasileiro e na previsibilidade do controle sanitário nacional”.
De acordo com dados da Comissão Europeia, o bloco é o segundo maior importador mundial de ovos e ovoprodutos, com 122 mil toneladas importadas em 2024. Entre janeiro e julho de 2025, as compras externas somaram 100 mil toneladas, alta de 47% em relação ao mesmo período do ano anterior.
“Com consumo per capita médio entre 220 e 225 ovos por habitante, a Europa é um mercado maduro e altamente qualificado, guiado por exigências em sustentabilidade, bem-estar animal e rastreabilidade. O novo pre-listing permitirá que mais indústrias brasileiras se habilitem a exportar, agregando valor à produção nacional e fortalecendo a imagem do Brasil como fornecedor de alimentos seguros e sustentáveis”, destacou Santin.
Auditoria em pescados prevista para 2026
Durante o evento, Fávaro também informou que as autoridades europeias pretendem realizar uma auditoria no sistema brasileiro de pescados em meados de 2026.
“Outra boa notícia é a confirmação de auditoria para pescados no começo do ano que vem, que poderá abrir o mercado brasileiro na Europa”, destacou o ministro.
Em outubro, o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Luís Rua, se reuniu com o comissário europeu para Agricultura, Christophe Hansen, em São Paulo, quando foram tratados esses temas e a retomada do pre-listing para carnes de aves e ovos.
Suriname abre mercado para carne suína brasileira
Na mesma ocasião, o ministro Fávaro também anunciou a abertura inédita do mercado do Suriname para a carne suína brasileira, tanto in natura quanto processada.
O país, com cerca de 630 mil habitantes, possui alta dependência de importações de proteínas animais. Até agora, não havia autorização para entrada de carne suína brasileira.
O consumo per capita local é estimado em 7,74 quilos por ano (dados de 2021).
Além disso, o Suriname já mantém fluxo regular de importações de carne de frango brasileira, com média anual de 3 mil toneladas, o que deve facilitar o ingresso dos produtos suínos nacionais.
“O Suriname é um novo e promissor destino para a proteína suína brasileira. Essa abertura inédita reflete o trabalho técnico e diplomático conduzido com excelência pelo Ministério. É uma conquista que demonstra a credibilidade do sistema sanitário brasileiro e a capacidade de nossa suinocultura de acessar mercados diversificados, com qualidade e regularidade”, completou Santin.
