Fictor suspende compra do Banco Master após liquidação e prisão de Vorcaro
Suspensão veio após medidas do Banco Central e ação da Polícia Federal
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A Fictor Holding Financeira suspendeu a compra do Banco Master menos de 24 horas após anunciar o negócio, depois que o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição e a Polícia Federal prendeu o fundador do banco, Daniel Vorcaro.
A aquisição previa um aporte inicial de R$ 3 bilhões, mas ainda dependia da aprovação dos órgãos reguladores.
A Fictor havia informado na segunda-feira (17) que a aquisição seria realizada em conjunto com um consórcio de investidores dos Emirados Árabes Unidos, que somam mais de US$ 100 bilhões em ativos sob gestão.
A suspensão da compra foi formalizada nesta terça-feira (18), após a decisão do Banco Central e o avanço das investigações que atingiram o comando do Master.
A liquidação extrajudicial afasta os controladores, coloca a instituição sob administração da autoridade monetária e inicia o processo de encerramento das operações para proteger o sistema financeiro e os clientes. A medida pode resultar no maior resgate da história do FGC (Fundo Garantidor de Créditos), estimado em R$ 41 bilhões, superando o caso Bamerindus.
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Em nota, a Fictor disse ter tomado conhecimento da operação policial pela imprensa.
"A operação de compra está suspensa, e nos colocamos à disposição das autoridades competentes para quaisquer esclarecimentos que julgarem necessários."
Segundo comunicado, o consórcio global de investidores liderado pela Fictor também tomou conhecimento pela imprensa da decisão do Banco Central e das medidas adotadas contra os atuais controladores do Master.
O Grupo Fictor reforçou que a operação anunciada na véspera estava condicionada à análise e aprovação dos órgãos reguladores.
A empresa informou ainda ter conduzido todas as etapas “com total transparência, responsabilidade e estrita observância aos ritos estabelecidos pelas normas legais” e reiterou “absoluto respeito ao Banco Central do Brasil e aos demais órgãos de segurança e controle”.
Por se tratar de tema sob investigação, afirmou que não comentará o mérito das apurações.
Como seria a operação
A operação previa um aporte imediato de R$ 3 bilhões para reduzir o passivo do banco. Pelo acordo, a Fictor assumiria 100% das ações de Daniel Vorcaro, que deixaria a instituição para se dedicar à sua holding patrimonial.
Após a aprovação regulatória, um novo presidente seria eleito, e o banco passaria a se chamar Banco Fictor, segundo a Folha de S. Paulo.
A Fictor faz parte de um conglomerado com negócios em alimentos, gestão de recursos, pagamentos, energia e imóveis.
O grupo patrocina o Palmeiras com R$ 30 milhões por ano e diz ter cerca de 30 empreendimentos que somam mais de US$ 1 bilhão. A empresa afirma possuir mais de 6 mil colaboradores. Há duas, semanas formalizou patrocínio ao atletismo brasileiro no valot de R$ 21 milhões.
Liquidação, prisão e impactos no sistema financeiro
Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal no Aeroporto de Guarulhos enquanto tentava deixar o país na manhã desta terça-feira.
A Operação Compliance Zero apura a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras que integram o Sistema Financeiro Nacional.
No mesmo dia, o Banco Central também liquidou a Master Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários e determinou a indisponibilidade de bens de controladores e ex-administradores.
O ministro Fernando Haddad afirmou que o Banco Central divulgará informações conforme o processo avançar e que a Fazenda dará suporte às consequências da liquidação.
Uma delas será o uso do FGC para ressarcir investidores, dentro do limite de R$ 250 mil por instituição, com teto global de R$ 1 milhão em quatro anos.
Em agosto, o CMN aprovou novas regras para adesão ao FGC, previstas para entrar em vigor em junho de 2026, após o Banco Master começar a ser investigado pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios no contexto da tentativa de compra pelo BRB.