França suspende importação de frutas com resíduos de defensivos proibidos na UE

    Medida atinge produtos da América do Sul, reforça fiscalização nas fronteiras e ocorre em meio à pressão de agricultores franceses sobre o acordo UE–Mercosul

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    França suspende importação de frutas com resíduos de defensivos proibidos na UE
    05deJaneirode2026ás17:15

    O governo da França anunciou que irá suspender a importação de frutas e outros produtos agrícolas que apresentem resíduos de defensivos agrícolas proibidos pela União Europeia.

    A medida atinge diretamente exportações da América do Sul, incluindo o Brasil, e deve entrar em vigor nos próximos dias por meio de uma portaria do Ministério da Agricultura francês.

    O anúncio foi feito pelo primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, e confirmado pela ministra da Agricultura e da Soberania Alimentar, Annie Genevard, que afirmou já ter determinado a adoção do decreto.

    Segundo o governo, a decisão visa impedir a entrada de alimentos com resíduos de substâncias banidas pelas normas sanitárias da União Europeia.

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    Entre os defensivos citados estão mancozebe, glufosinato, tiofanato-metílico e carbendazim — produtos cujo uso é vetado no bloco europeu, mas que seguem autorizados em outros países produtores.

    A partir da nova regra, frutas como abacate, manga, goiaba, frutas cítricas, uvas, maçãs, melões, damascos, cerejas, morangos e batatas só poderão ser comercializadas na França se não apresentarem qualquer resíduo dessas substâncias.

    Para garantir o cumprimento da medida, o governo francês informou que será criada uma brigada especializada, responsável por reforçar os controles sanitários nos portos e demais pontos de entrada do país. Segundo Lecornu, a fiscalização será intensificada para assegurar o respeito rigoroso às normas sanitárias nacionais e europeias.

    “Não podemos aceitar que substâncias proibidas aqui reapareçam indiretamente por meio das importações. É uma questão de bom senso, de equidade e de justiça para nossos agricultores”, afirmou o primeiro-ministro. 

    Pressão interna e acordo Mercosul–UE

    O anúncio ocorre em meio a uma onda de protestos e bloqueios promovidos por agricultores franceses, que pressionam o governo por maior proteção ao setor. Entre as principais críticas está o acordo de livre-comércio entre a União Europeia e o Mercosul, visto por produtores como uma ameaça à competitividade da agricultura europeia.

    Embora o tratado ainda não tenha sido oficialmente assinado, a Comissão Europeia discute a inclusão de cláusulas de salvaguarda para produtos considerados sensíveis.

    Em dezembro, a presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, informou que a assinatura do acordo foi adiada para janeiro, diante da resistência política e social em países do bloco.

    Para o governo francês, a suspensão das importações com resíduos de agroquímicos proibidos representa um “primeiro passo” para combater a concorrência desleal, proteger os consumidores e assegurar condições mais justas aos agricultores locais.

     

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