SP investe mais de R$ 3,5 milhões para conter avanço do greening
Recursos vão financiar novas equipes técnicas, ampliar a fiscalização no campo e fortalecer ações sanitárias nos principais polos citrícolas do Estado
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O governo de São Paulo vai destinar mais de R$ 3,5 milhões por ano para reforçar o combate ao greening (HLB), uma das doenças mais graves da citricultura.
O recurso será aplicado na contratação de equipes técnicas que atuarão em áreas estratégicas do Estado, onde a incidência da praga é mais elevada.
A iniciativa será executada por meio de edital da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, que prevê a contratação de 28 profissionais para trabalhar em conjunto com os servidores da Defesa Agropecuária. O investimento anual estimado é de R$ 3,6 milhões.
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Segundo o secretário executivo de Agricultura e Abastecimento, Alberto Amorim, o reforço é essencial para preservar a cadeia citrícola paulista.
“Essa é uma medida fundamental para a preservação da cadeia da citricultura em nosso Estado. Mais monitoramento é sinônimo de maior segurança e, consequentemente, maior produtividade para os pomares paulistas. São Paulo concentra aproximadamente 80% da produção nacional e gerou quase 50 mil empregos só em 2024”, afirmou.

A contratação ocorrerá por meio de termo de colaboração com uma Organização da Sociedade Civil (OSC), com vigência inicial de um ano e possibilidade de prorrogação.
As equipes serão organizadas em seis grupos, compostos por engenheiros agrônomos, inspetores de pragas e profissionais administrativos, com atuação direta no monitoramento e na fiscalização do Greening.
De acordo com Alexandre Paloschi, chefe do Departamento de Defesa Sanitária Vegetal, o objetivo é tornar as ações mais eficientes a partir da realidade de cada região.
“Serão profissionais focados em inspeções de Greening, nos ajudando a regionalizar as ações do Estado e a adotar medidas diferentes conforme a incidência da doença”, explicou.
As regiões de atuação ainda serão definidas, priorizando os principais polos produtivos. A expectativa é ampliar o controle do psilídeo, inseto vetor da bactéria causadora da doença.
“Com reforço na fiscalização, pretendemos ter maior sucesso no controle efetivo do psilídeo”, acrescentou Paloschi.
Pressão segue alta nos pomares
Levantamento do Fundecitrus mostra que a disseminação do Greening continua avançando no cinturão citrícola paulista. A incidência da doença passou de 44,35% em 2024 para 47,63% em 2025, com aumento também da severidade média das plantas afetadas.
Apesar do avanço, o estudo aponta um sinal positivo: pelo segundo ano consecutivo, houve redução da taxa de crescimento da doença, além de queda expressiva da incidência em pomares mais jovens, reflexo do manejo preventivo, da erradicação de plantas doentes e do controle mais rigoroso adotado pelos produtores.
Fiscalização e regras mais rígidas
Em 2025, a Defesa Agropecuária fiscalizou 17.549 propriedades, retirou 60.316 mudas irregulares de circulação e realizou 26 ações educativas voltadas a produtores. O órgão mantém um canal direto para denúncias de pomares abandonados ou mal manejados.
No ano passado, o governo paulista também publicou resoluções que endureceram as regras sanitárias, incluindo a proibição do plantio, comércio, transporte e uso da murta — planta hospedeira da bactéria — em áreas públicas e privadas, com exceção de casos destinados à pesquisa científica autorizada.