Powell acusa Trump de usar ameaça criminal para pressionar por corte de juros

    Presidente do Federal Reserve diz que notificações do Departamento de Justiça fazem parte de uma estratégia de intimidação contra a política monetária dos Estados Unidos

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    Foto: Kent Nishimura/Reuters

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    12deJaneirode2026ás12:32

    O presidente do Federal Reserve (FED), Jerome Powell, acusou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de usar uma ameaça de acusação criminal como forma de pressionar o Banco Central americano a reduzir a taxa de juros.

    O FED é a autoridade monetária responsável por definir os juros básicos da economia dos EUA.

    Em comunicado divulgado neste domingo (11), Powell afirmou ter recebido uma notificação do Departamento de Justiça envolvendo uma possível denúncia criminal relacionada a um projeto de reforma nos prédios da instituição. 

    “Ninguém, certamente não o presidente do Federal Reserve, está acima da lei. Mas essa ação sem precedentes deve ser vista no contexto mais amplo das ameaças e da pressão contínua do governo”, declarou.

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    Segundo Powell, a suposta investigação não teria relação real com as obras, mas serviria como pretexto para intimidar a autoridade monetária.

    “Esses são pretextos. A ameaça de acusações criminais é uma consequência do Federal Reserve definir as taxas de juros com base em nossa melhor avaliação do que servirá ao público, em vez de seguir as preferências do presidente”, afirmou. 

    Ele acrescentou que está em jogo a capacidade do FED de continuar tomando decisões com base em dados e nas condições econômicas, e não sob pressão política. 

    Powell disse ainda que a política econômica corre o risco de passar a ser “dirigida por pressão política ou intimidação”. 

    Trump nega pressão 

    Questionado por jornalistas sobre o caso, Trump afirmou que não tinha conhecimento da investigação envolvendo Powell. 

    "Não sei nada sobre isso, mas certamente ele não é muito bom no FED, e não é muito bom em construir prédios", disse à NBC News, acrescentando que a acusação não tem relação com o patamar elevado dos juros. 

    “Eu nem pensaria em fazer isso dessa forma. O que deveria pressioná-lo é o fato de as taxas estarem muito altas. Essa é a única pressão que ele tem”, completou. 

    Desde que iniciou seu segundo mandato, Trump tem feito críticas recorrentes à condução da política monetária pelo FED, cobrando cortes mais agressivos nos juros e chegando a ameaçar a demissão de Powell.

    O mandato do atual presidente do banco central termina em maio deste ano, quando Trump deve indicar um sucessor. 

    Debate sobre independência do FED 

    A ofensiva contra Powell reacendeu o debate sobre a independência do Federal Reserve, um dos pilares do sistema financeiro americano. A instituição tem autonomia legal para definir os juros, justamente para evitar interferências políticas nas decisões econômicas. 

    O senador republicano Thom Tillis, integrante do Comitê Bancário do Senado, afirmou que pretende se opor à nomeação do próximo presidente do FED enquanto a questão legal envolvendo Powell não for esclarecida. 

    “Se ainda restava alguma dúvida sobre se os assessores do governo Trump estão ativamente pressionando para acabar com a independência do Federal Reserve, agora não deve haver nenhuma. Agora, a independência e a credibilidade do Departamento de Justiça estão em questão”, escreveu em uma rede social.

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