Raízen entra com recuperação extrajudicial para renegociar R$ 65 bilhões em dívidas

    Pedido protocolado no Tribunal de Justiça de São Paulo prevê negociação com credores, capitalização pelos acionistas e possível venda de ativos

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    Raízen entra com recuperação extrajudicial para renegociar R$ 65 bilhões em dívidas
    11deMarçode2026ás08:40

    A Raízen, joint venture entre Cosan e Shell, protocolou nesta terça-feira (10) pedido de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 65 bilhões em dívidas, em um dos maiores processos desse tipo já registrados no país.

    Segundo a companhia, o plano foi iniciado em consenso com parte relevante dos credores financeiros  e tem como objetivo criar um ambiente jurídico estável para a reestruturação das obrigações do grupo. A empresa informou que já conta com a adesão de aproximadamente 47% dos detentores da dívida, percentual que demonstra apoio inicial às negociações.

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    O pedido foi protocolado no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) e permite que a companhia negocie diretamente com um grupo específico de credores, modelo diferente da recuperação judicial tradicional, que envolve todas as dívidas da empresa.

    Durante o processo, a Raízen terá prazo para ampliar a adesão dos credores e consolidar o acordo.

    A empresa afirma que o processo tem escopo estritamente financeiro e não envolve compromissos operacionais. Segundo a companhia, obrigações com clientes, fornecedores, revendedores e parceiros de negócios permanecem válidas e continuam sendo cumpridas normalmente.

    O plano de reestruturação pode incluir conversão de parte das dívidas em ações, alongamento de prazos, reorganização societária e venda de ativos. Também está prevista uma injeção de capital de cerca de R$ 4 bilhões, sendo R$ 3,5 bilhões da Shell e R$ 500 milhões da holding Aguassanta Investimentos, da família de Rubens Ometto.

    A companhia também avalia a venda de ativos, incluindo operações na Argentina, como parte da estratégia para reduzir a alavancagem e reforçar o caixa.

    Com dívida estimada em mais de R$ 65 bilhões, o caso é considerado o maior pedido de recuperação extrajudicial em andamento no Brasil, segundo o site Pipeline, do Valor Econômico. A informação sobre o processo também foi antecipada pelo colunista Lauro Jardim, de O Globo.

    A Raízen afirma que suas operações seguem normalmente enquanto negocia a reestruturação com bancos e detentores de títulos no mercado financeiro.

    Venda de ativos e reorganização da estrutura

    Desde o ano passado, a Raízen vem conduzindo uma série de operações para simplificar sua estrutura e otimizar o portfólio de ativos.

    Em novembro de 2025, a companhia anunciou a venda da usina Continental, localizada em Colômbia (SP), ao Grupo Colorado, por R$ 750 milhões. O acordo inclui a cessão da cana própria e dos contratos com fornecedores vinculados à unidade, além dos investimentos de manutenção de entressafra que serão assumidos pelo comprador.

    No mês anterior, em outubro de 2025, a Raízen aprovou a incorporação da subsidiária Raízen Centro-Sul Comercializadora, conforme ata de assembleia extraordinária divulgada pela empresa. Segundo a companhia, a medida busca concentrar ativos e passivos financeiros e operacionais em uma única estrutura, tornando o grupo mais ágil e eficiente.

    Em setembro, a empresa também encerrou, em comum acordo, a parceria com a Femsa Comercio na joint venture Grupo Nós, criada em 2019 para atuar nos segmentos de conveniência e proximidade. O encerramento foi estruturado por meio de troca de participações, sem pagamento em dinheiro entre as partes.

    No mês anterior, a Raízen e sua controlada Raízen Energia concluíram a venda das usinas Rio Brilhante e Passa Tempo, localizadas em Rio Brilhante (MS), para a Cocal Agroindústria. As unidades têm capacidade de moagem de cerca de 6 milhões de toneladas por safra, e o negócio foi estimado em R$ 1,543 bilhão — sendo R$ 1,325 bilhão referentes aos ativos e R$ 218 milhões relativos a investimentos de manutenção da entressafra de 2025, assumidos pela compradora.

    Antes disso, em julho, a companhia já havia se desfeito de 55 usinas de geração distribuída de energia solar, em uma operação avaliada em cerca de R$ 600 milhões.

    No total, a Raízen já vendeu pelo menos 60 ativos, entre unidades de energia e usinas de cana-de-açúcar, incluindo a histórica Santa Elisa.

     

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